Eles têm as mãos dadas e andam em direção a…? Ao futuro, diria. São jovens. Muito jovens.
Ele lhe dá um beijo no pescoço. Um estalo que faz um certo barulho. Ela ri, e seus cabelos cacheados parecem rir também, assim como todo o seu corpo. O mundo lhes pertence. Uma confiança parece tê-los tocado.
Imagino que estejam descobrindo o amor. Ele os une. Espero que por muito tempo, neste mundo de brutos, de rapidez e de superficialidade. Que guardem suas emoções simples, naturais, verdadeiras.
Ele tem os cabelos claros, quase loiros, cortados em linha reta.
Que diferenças terão que ultrapassar? Hoje são sonhadores, confiantes, descobrindo o mundo, o outro e uma quantidade de emoções. Ainda não sabem que o amor também é feito de dúvidas, de esperas, de pequenas decepções e de escolhas. Não sabem que, às vezes, será preciso aprender a escutar, a ceder, a permanecer.
Talvez venham dias difíceis. Talvez descubram que caminhar juntos não significa caminhar sempre na mesma direção. Haverá mudanças, distâncias, escolhas. A vida lhes pedirá coragem.
Mas, por enquanto, eles caminham de mãos dadas. Concentrados neles mesmos. E isso basta.
Há qualquer coisa de profundamente bonita nessa confiança que ainda não conhece o medo. Eles avançam sem saber exatamente para onde, como se o futuro fosse um lugar que os espera de braços abertos.
Que possam conservar, mesmo quando a vida lhes mostrar suas asperezas, alguma coisa desse instante: o riso dela, o beijo no pescoço, as mãos entrelaçadas, a certeza de que o mundo pode ser deles.
Talvez o futuro não seja aquilo que imaginam. Talvez seja melhor, talvez seja mais difícil. Mas… não sejamos apressados. Eles têm tempo, muito tempo, para descobrir.
O importante agora é caminhar.
Eles caminham.
De mãos dadas.
Confiantes.
Em direção ao futuro.
Imprevisível.
Mazé Torquato Chotil – de Paris
