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“Não substituímos população pelo centrão”, afirma Marina em convenção

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04/08/2018 – 14h18

Ex-ministra, com o também ex-ministro Eduardo Jorge de vice, são oficializados como candidatos

Marina Silva (Rede Sustentabilidade) e Eduardo Jorge (PV) foram oficializados como candidatos à Presidência e Vice-Presidência da República na manhã deste sábado (4/8) no Minas Hall, no Setor de Clubes Esportivos Norte, em Brasília. Com a cerimônia, PV e Rede também oficializam a coligação, que se chamará “Unidos para transformar o Brasil”. O ator Marcos Palmeira foi o encarregado de coordenar a convenção.

A convenção foi marcada por críticas aos “acordos espúrios” das relações políticas para a obtenção de mais tempo de televisão e também às campanhas que tentam “desmoralizar a biografia” dos outros candidatos para a obtenção de votos. “Não substituímos a população pelo centrão”, disparou Marina durante seu discurso. “Não vamos fazer fake news e não vamos destruir biografias”, enfatizou a candidata.

Ela argumentou que a população quer mudar há ano e, por isso, não pode se voltar para a velha política. “Não dá mais para querer mudar e não mudar”, ressaltou. O trecho “Não dá mais” foi repetido diversas vezes, inclusive no telão.

Marina defendeu que a sociedade não aguenta mais essa disputa entre direita e esquerda que leva o país à mesmice, enquanto a população paga pelos erros de políticas inconsistentes. “Nossa aliança com o PV é um encontro programático e coerente. Desde 2010 eu digo que é preciso fazer um debate e não um embate. Nós somos o projeto mais preparado e temos a condição de unir o Brasil”, disse Marina.

Durante o discurso, a candidata também traçou um breve histórico de sua vida. Destacou que foi ministra do Meio Ambiente nos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Conseguimos diminuir em 80% o desmatamento em 10 anos”, afirmou. “Numa gestão altamente premiada dentro e fora do Brasil”, acrescentou Marina. A líder na chapa também desatacou que todos partidos têm pessoas boas e ruins e que é preciso diálogo com estes que tem interesse de “levar o Brasil para frente”.

Sobre a possível falta de governabilidade, por conta do baixo número de parlamentares aliados no Congresso Nacional, Marina criticou os últimos governos. “Dilma (Rousseff) não governou. Temer não governa. Não insista nessa fórmula”, apontou. Marina declarou que é preciso unir as melhores pessoas dos partidos, da academia, do empresariado e dos movimentos sociais para debater o que é melhor para o Brasil.

Economia

Marina utilizou o lema “não dá mais” para declarar que há 13 milhões de pessoas desempregadas no país, enquanto 1% dos mais ricos têm metade da renda nacional. Ela criticou a tributação atual, que penaliza os mais pobres e defendeu a agenda de reformas.

“Vamos trabalhar num programa que interesse à sociedade. Precisamos de investimentos e, para isso, precisamos voltar a ter credibilidade. O crescimento econômico depende da sustentabilidade. É preciso ter controle das contas públicas, parar de gastar mais do que arrecada, encarar as reformas, em especial, a da Previdência”, disse. “Mas serão reformas que serão debatidas com todos as partes e não algumas partes interessadas”, completou.

Entre as principais temáticas abordadas no evento estão o fim do foro privilegiado e da reeleição. Também houve críticas ao presidencialismo de coalização, além de firmarem compromisso com investimentos na educação, dignidade e oportunidade para a sociedade, principalmente para as minorias. Muitos discursos destacaram a integridade ética e moral de Marina Silva, como a candidata que não está envolvida em corrupção.

Antes do discurso, um vídeo sobre a vida da candidata foi reproduzido, trazendo o início da trajetória de Marina desde o nascimento no interior do Acre até a ascensão na política e no reconhecimento internacional como uma defensora do meio ambiente.

De acordo com a candidata, a aliança da Rede Sustentabilidade com o PV é integra e sincera. “Nós vamos e estamos aqui para fazer algo que o Brasil precisa”, disse. “

Aliança

Eduardo Jorge, vice na chapa, criticou a ex-presidente Dilma Rousseff e o atual chefe do Executivo, Michel Temer. “Não temam defender a posição (da Rede e do PV) em nenhum campo. O impeachment foi correto e a justiça faz o trabalho necessário e tem que valer para todos”, citou.

O candidato também destacou que é preciso ter uma revolução para que as pessoas passem a ter consciência sustentável e também elogiou o nome de Marina como uma das postulantes à Presidência da República. Eduardo Jorge também homenageou Hélio Bicudo, que morreu na última semana. Segundo ele, Hélio foi um “gigante” e “valente” homem que enfrentou a ditadura de peito aberto.

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