13/09/2016 – 17h32
Os acontecimentos ocorridos nos últimos dias, desde o impedimento da ex-presidente Dilma, passando pelo dia da Independência, com as manifestações contra o novo presidente, ontem com a posse da nova presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e a cassação do mandato parlamentar do ex-deputado Eduardo Cunha merecem, sem dúvida, algumas considerações, e abrem uma nova perspectiva para vida pública brasileira.
A primeira questão que se coloca é como esses acontecimentos foram possíveis. Reformulo a pergunta, o que desencadeou a Operação Lava Jato? Tomando como consenso que ela foi o estopim que nos levou a atual quadra da conjuntura nacional.
Não sai da minha cabeça a entrevista de um engenheiro mecânico que circula na rede mundial. Empresário em Londrina-PR, relata sua saga para conseguir recursos para a ampliação de seus negócios. Acabou fugindo do país, temendo por sua segurança, pois, dizia ele, que pessoas estavam lavando dinheiro através de sua empresa, e, por caminhos tortuosos, acabou por levar essa denúncia ao Juiz Sergio Moro, o resto da história é todos conhecida.
Após as eleições de 2.014, disse ao meu amigo Valfrido Silva que com a mentira contada durante a campanha pela candidata, a meu ver, ela não teria como terminar o mandato, pois perdera qualquer legitimidade, na época não sabia como ia se dar.
O país estava dividido ao meio, dessa forma, bastou que uma parcela do eleitorado se arrependesse do voto para que se formasse um novo consenso. A população foi para as redes sociais e para as ruas, e, junto com a “Republica de Curitiba” resultou em pressão insuportável sobre o Congresso, resultando no duplo impedimento, concluído ontem com a cassação do correntista suíço.
A cereja do bolo ficou para o fim: o discurso da nova presidente do STF, ministra Carmen Lucia. O glace ficou por conta do Procurador Geral Rodrigo Janot e do ministro Celso de Melo, com falas dignas de nota também.
Carmen Lucia quebrando o protocolo, antes de mencionar qualquer das autoridades presentes, começa: “pela mais elevada autoridade presente. Inicio, pois, meus cumprimentos, dirigindo-me ao cidadão brasileiro” e o discurso é feito para ele e um recado para a nação, prometendo mudanças no sistema judicial brasileiro que aproxime a justiça desse cidadão, eu não tenho como não acreditar e sugiro que os eventuais leitores vejam os discursos mencionados e a entrevista dada a jornalista Renata Lo Prete.
Os acontecimentos mencionados são auspiciosos, mas é, espero, apenas parte da construção de um novo paradigma a que se refere a ministra Carmen Lucia, nós também somos os construtores dessa “travessia para tempos mais pacificados” mencionada por ela.
Cesar de Oliveira Lutti, arquiteto e fundador do PSDB em Dourados

