11/12/2016 – 10h32
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitará abertura de investigação para apurar o vazamento para a imprensa de documento sigiloso que seria relativo à delação premiada de um dos executivos da Odebrecht.
“O vazamento do documento que constituiria objeto de colaboração, além de ilegal, não auxilia os trabalhos sérios que são desenvolvidos e é causa de grave preocupação para o Ministério Público Federal, que segue com a determinação de apurar todos os fatos com responsabilidade e profissionalismo”, diz nota do Ministério Público Federal (MPF), divulgada na noite de sábado (10).
Na nota, o MPF voltou a expressar que todo documento de colaboração, para que possa ser usado como prova e para que tenha cláusulas produzindo efeitos jurídicos para o colaborador, somente possui validade jurídica após homologação pelo Supremo Tribunal Federal.
A primeira das 77 delações de executivos e ex-executivos da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato caiu como uma bomba, na noite de sexta-feira, no Palácio do Planalto. O depoimento de 82 páginas de Claudio Melo Filho cita, entre outras denúncias, o pagamento de R$ 10 milhões ao presidente Michel Temer. A delação ainda não foi homologada pelo Supremo Tribunal federal (STF)
Os principais nomes do PMDB, além de aliados do governo federal, são citados por Melo Filho, que detalha conversas,encontros e valores.
De acordo com esta delação, a Odebrecht teria desembolsado R$ 88 milhões em propina, caixa dois e doações legais para campanhas de 48 políticos entre 2006 e 2014.
Executivo que trabalhou por 12 anos na empreiteira Odebrecht, o ex-diretor de Relações Institucionais da empresa Claudio Melo Filho disse, entre outros detalhes, que valores eram pagos em espécie ao braço direito de Temer, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

