30/12/2016 – 09h11
Medidas foram propostas pelo chanceler russo ao presidente Vladimir Putin, segundo as agências
MOSCOU — A Rússia anunciou nesta sexta-feira planos para expulsar 35 diplomatas americanos e proibir funcionários diplomáticos americanos de usarem instalações em Moscou, em retaliação às sanções dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov foi citado pelas agências russas dizendo que havia proposto as medidas ao presidente Vladimir Putin.
A reação de Moscou vem um dia após o presidente americano, Barack Obama, ordenar a expulsão de 35 russos suspeitos de espionagem e impor sanções a duas agências de inteligência russas por seu envolvimento em supostos ciberataques contra grupos políticos americanos nas eleições presidenciais de 2016.
Lavrov garantiu que a Rússia não deixaria as sanções sem resposta, reiterando que as alegações de que a Rússia interferiu nas eleições americanas são infundadas.
O FBI culpou diretamente serviços de inteligência russo de interferirem na eleição presidencial americana, divulgando na quinta-feira o relatório mais definitivo sobre o tema até o momento, que incluiu amostras de códigos de computador nocivos que teriam sido usados em uma ampla campanha de invasões cibernéticas.
A partir de meados de 2015, a agência de inteligência externa russa, FSB, mandou um link nocivo por email para mais de mil destinatários, entre eles alvos do governo dos Estados Unidos, de acordo com a polícia federal americana em um relatório de 13 páginas de co-autoria do Departamento de Segurança Interna.
Embora o Departamento e o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional tenham dito que a Rússia está por trás dos ciberataques de outubro, o relatório é a primeira análise técnica detalhada fornecida pelo governo, e o primeiro comunicado oficial do FBI.
De acordo com o documento do FBI, entre os grupos comprometidos pelas invasões do FSB estava o Comitê Nacional Democrata (DNC).
O relatório corrobora em grande parte descobertas anteriores de empresas particulares como a CrowdStrike, que investigou as invasões ao DNC e outros locais, e é uma prévia de uma avaliação mais detalhada da comunidade de inteligência dos EUA que Obama mandou ser finalizada antes de deixar o cargo no mês que vem, disse uma fonte a par da questão.
A maior parte das informações no documento não é nova, segundo a fonte, refletindo a dificuldade de atribuir responsabilidade por ciberataques publicamente sem revelar fontes e métodos confidenciais usados pelo governo.
Alguns líderes republicanos experientes do Congresso expressaram revolta com o que chamaram de interferência da Rússia nas eleições americanas, divergindo de seu próprio presidente eleito, Donald Trump.
Democratas acusaram Moscou após a derrota de sua candidata presidencial, Hillary Clinton, enquanto Trump questionou se a Rússia realmente é culpada e disse aos democratas que superassem o assunto.

