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Trump assina decreto para construir muro na fronteira com o México

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25/01/2017 – 16h20

Apesar da promessa de campanha de Trump de que o país vizinho pagaria pela barreira, custo sairá dos cofres americanos, segundo porta-voz

WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na quarta-feira decretos presidenciais para ativar a construção de um prometido muro na fronteira com o México e para banir temporariamente a entrada da maior parte dos refugiados, anunciou a Casa Branca. As medidas — antecipadas pela imprensa americana na noite de terça-feira e pelo próprio Trump em um post no Twitter — incluem ainda aumentar a fiscalização migratória interna e congelar o financiamento a cidades que protegem imigrantes em situação ilegal. Outra proposta que em breve será oficializada é a suspensão de vistos para cidadãos da Síria e de outros seis países do Oriente Médio e da África.

Trump, que publicou no Twitter que esta quarta-feira seria “um grande dia” para a segurança nacional, deve proibir por vários meses a entrada de refugiados nos EUA, exceto minorias religiosas que fogem de perseguição, até que vetos mais agressivos sejam implementados. Outro decreto deve bloquear vistos emitidos para qualquer pessoa de Síria, Iraque, Irã, Líbia, Somália, Sudão e Iêmen.

Em trechos de uma entrevista que será publicada pela rede ABC, Trump garantiu que o muro será “construido imediatamente” e será pago inicialmente pelos contribuintes dos EUA, e pelo México posteriormente.

— As negociações para o reembolso começarão relativamente em breve — afirmou.

O secretário de imprensa, Sean Spicer, confirmou que “o México pagará de uma maneira ou outra” pela construção, prevista para custar de US$ 8 bilhões a US$ 14 bilhões.

— O povo americano não será mais obrigado a subsidiar este desrespeito às leis — disse Spicer a jornalistas, chamando a fronteira atual de porosa diante do tráfico de drogas, armas e pessoas. — O presidente tem um coração enorme. Ele entende a magnitude do problema. Sua prioridade com imigração é se livrar de criminosos que não deveriam estar aqui.

Através do Twitter, na terça-feira, Trump disse: “Grande dia planejado para SEGURANÇA NACIONAL amanhã. Entre outras coisas, iremos construir o muro!”.

FRONTEIRA PROTEGIDA

Um decreto punirá as cidades-santuário — municípios que limitam cooperação com funcionários da imigração, tecnicamente ajudando a proteger ilegais —, cortando o financiamento federal a estas cidades. Dentre as quais, estão São Francisco, Nova York e Chicago.

— Esta ação vai deixar a esquerda maluca — disse o ex-presidente da Câmara, New Gingrich, a uma grupo conservador.

As medidas de segurança na fronteira incluirão coordenar a construção de um muro na divisa com o México e outras ações para diminuir o número de imigrantes ilegais que vivem nos EUA.

Com Trump considerando medidas para fortalecer segurança fronteiriça, ele pode dar atenção à questão de refugiados posteriormente nesta semana.

O muro e os ataques contra os mexicanos têm estado no centro da campanha de Trump desde o primeiro momento em que o empresário de Nova York lançou sua candidatura para a Casa Branca. O republicano disse que imigrantes ilegais do país vizinho eram “estupradores” e prometeu que o México iria reembolsar os EUA pelos custos da construção do muro.

Após as eleições, a equipe do novo presidente admitiu que o investimento seria assumido inicialmente pelo governo americano, com a ideia de que, em seguida, o México pagasse pela obra.

O presidente do México, Enrique Peña Nieto, no entanto, rejeitou categoricamente a proposta de Trump, dizendo que a relação entre os países não será de confronto, tampouco de submissão.

— Trabalharemos por uma fronteira que nos una e não nos divida. O México não acredita em muros — afirmou Peña Nieto na segunda-feira, durante um pronunciamento sobre a política externa mexicana.

A fronteira entre os EUA e México tem mais de 3.200 quilômetros e, destes, hoje apenas 1.000 quilômetros são cercados.

— Se você construir um muro, você ainda terá que apoiar essa barreira com patrulhamento por seres humanos, por sensores, por dispositivos de monitoramento — observou o secretário de Segurança Interna, John Kelly, com quem Trump se reuniu na cerimônia para assinatura do decreto.

Trump assina decreto para construir muro na fronteira com o México

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