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Canavieiros rezam pela recuperação da São Fernando

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08/03/2017 – 06h44

Fundo de Pensão americano precisa começar investindo R$ 100 milhões para tirar Usina do buraco

A premonição que faltou ao pecuarista José Carlos Bumlai quando se aliou ao então presidente Luiz Ignácio Lula da Silva para a implantação da Usina São Fernando sobrou quando ele, consciente dos pecados que estava cometendo, decidiu, paralelamente ao pomposo empreendimento, construir e entregar à comunidade católica uma capela, também próximo à saída para Laguna-Caarapã. Como o crachá que lhe dava a condição de único brasileiro com acesso livre ao gabinete presidencial petista não impediu que caísse nas garras do juiz Sérgio Moro, sendo hoje um dos mais longevos presidiários da Lava Jato, e, para piorar, com a saúde bastante debilitada, só mesmo com muita reza de seus parceiros-proprietários da Grande Dourados para não continuar pagando mico, também, como usineiro falido.

Para que Bumlai ‘amigo do Lula’ saia dessa enrascada os executivos do Fundo de Pensão americano Merra (o mesmo que recuperou a Cooperativa de Açúcar e Álcool de Naviraí e, até agora, o único a se interessar pelo negócio), precisam chegar à Assembleia desta quinta-feira, no Cerrado Brasil, com suas maletas recheadas – coisa aí de cem milhões de reais. Cerca de R$ 60 milhões só para acalmar antigos pecuaristas e sojicultores que levaram na tarraqueta iludidos com o negócio sucroalcooleiro, os outros R$ 40 milhões para investimentos primários, como tirar o maquinário da oficina e colocar a frota no trecho para que a caldeiras voltem a funcionar a pleno vapor. Só depois é que vem a conversa mais difícil, com os dois maiores credores – o Banco do Brasil e o BNDES –, e aí o rombo é de cerca de R$ 1,5 bilhão.

Claro que as dificuldades econômicas vividas até o ano passado pelo setor sucroalcooleiro, por conta da baixa cotação do açúcar, de clima desfavorável em algumas regiões e de teto para os preços do etanol estabelecido em função política populista da gasolina barata do governo petista afetaram até gigantes multinacionais do setor, algumas delas em Mato Grosso do Sul, como a Bung, a Louis Dreyffus e a Odebrecht, mas o buraco que levou a São Fernando à bancarrota é mais embaixo, já que é a mais encalacrada com as questões políticas por sua ligação umbilical com os grandes escândalos de corrupção que abalam o País.

A expectativa em relação à Assembleia Geral desta quinta-feira é de que o Fundo americano venha com uma proposta decente para que a usina que já foi a joia da coroa dos amigos petistas escape da falência. Até porque há outro perigo rondando a economia local, que poderia provocar o famoso efeito dominó, por conta da venda (ou paralização das atividades) da Bung (no município de Ponta Pontã, mas vizinha da São Fernando), da Tonon, também em recuperação judicial, em Maracaju, e da Dreyffus, em Rio Brilhante, esta já sem cana para completar seu ciclo de moagem, porque também não está cuidando bem da lavoura. E, completando este quadro caótico, ainda em Rio Brilhante, a usina Eldorado, e em Nova Alvorada do Sul a Santa Luzia, ambas da Odebrecht, cujo nome dispensa comentários.

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Os amigos e sócios, Bumlai e Lula

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