03/04/2019 – 14h18
Companhias darão lance de, no mínimo, US$ 70 mi por ao menos uma das partes da empresa
Um novo plano apresentado nesta quarta-feira (3) para fatiar a Avianca Brasil em sete partes que poderão ser leiloadas entre diferentes companhias aéreas vai proteger os passageiros que compraram bilhetes da companhia em recuperação judicial e elevar a arrecadação dos credores da companhia, segundo Jerome Cadier, presidente da Latam, que anunciou ter intenção de comprar uma parte por ao menos US$ 70 milhões (R$ 268 milhões).
A Gol também soltou comunicado nesta quarta informando que vai participar do processo de compra de ativos da Avianca Brasil. A companhia afirma que assinou acordo vinculante com a Elliott, credora da Avianca, para entrar na disputa. Pela proposta, os direitos de uso dos horários de pousos e decolagens da Avianca poderão ser fatiados para serem vendidos separadamente a diferentes empresas. O lance mínimo da Gol também será de US$ 70 milhões por pelo menos uma das partes, além de comprar da Elliott US$ 5 milhões em financiamentos.
“É um plano que arrecada mais para os credores porque eleva a disputa. Quando só há um competidor no leilão [como seria caso apenas a Azul se oferecesse para comprar a Avianca], o lance é mais baixo. Quando há várias empresas sendo leiloadas e várias empresas podendo participar do leilão, a chance de arrecadar é maior”, diz Cadier.
A Latam foi convidada pela Elliott para participar do leilão em novas condições de um plano homologado pela Avianca, que será apresentado à Justiça nesta quarta-feira (3).
“Nos comprometemos a fazer uma oferta [pela Avianca] por no mínimo US$ 70 milhões para uma das partes da companhia”, afirma o presidente da Latam.
A Avianca Brasil assinou em março um acordo para vender uma parte significativa da empresa apenas para a concorrente Azul. O acordo anunciado na época envolvia a venda de um único pacote de 30 aeronaves, 70 slots (autorização de pousos e decolagens) e certificado de operador aéreo por US$ 105 milhões. Por ele, os ativos ficam reunidos sob a estrutura da UPI (Unidade Produtiva Isolada), fazendo com que a dívida não seja assumida pela Azul.
A transação começou naquele momento com um investimento prévio, que vem mantendo viva a Avianca Brasil até que a UPI seja de fato vendida, ou as UPIs, no novo modelo de fatiamento proposto. Enquanto isso, a empresa vem usando o recurso para manter a operação, pagar combustível, salários e parcelas dos arrendamentos de aviões, que foi o estopim desta crise.
Caso a venda não aconteça no modelo inicial acordado com a Azul, no mês passado, os recursos já injetados até agora retornam para a Azul, segundo a companhia.
Agora surge um novo plano proposto pela Elliott, o principal credor da Avianca, com características diferentes das que haviam sido desenhadas pela Azul e pela Avianca no mês passado. Tanto a Gol quanto a Latam agora se lançaram à disputa.
Em vez de separar as dívidas da Avianca e manter apenas uma parte, conforme a proposta apresentada pela Azul, a companhia aérea de José Efromovich seria desfeita em sete pedaços, as chamadas UPIs (unidades produtivas independentes). Todas vão a leilão e poderão ser adquiridas por mais companhias, além da Azul. As partes têm proporções diferentes, três são maiores, com números diferentes de slots.
Das sete UPIs, seis terão direitos de uso dos slots nos aeroportos de Congonhas, Santos Dumont e Guarulhos, além dos certificados de operador aéreo. A sétima unidade agrega o programa de pontos Amigo, da Avianca. O processo terá de passar por análise do Cade (Conselho Adminstrativo de Defesa Econômica).
A proposta da Gol também prevê um adiantamento de US$ 35 milhões para a Elliott, valor que será restituído à Gol caso outro competidor compre a UPI desejada pela Gol no leilão ou se chegue a outro desfecho.
“A proposta apresentada potencializa a concorrência pelos ativos da Avianca Brasil e viabiliza nossa participação em leilão para aquisição de UPIs”, disse, em nota, Paulo Kakinoff, presidente da Gol.
“A partir da aquisição de UPIs, ofereceremos mais conectividade aérea, já que a malha da Gol é mais ampla e mais completa do que a atualmente operada pela Avianca Brasil”, afirmou.
Igor Utsumi, Ivan Martínez-Vargas e Paula Soprana, coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo


