07/06/2019 – 15h27
Presidente defende que ‘peso real’ valha para todo o continente
Após participar de uma cerimônia de formatura de sargentos da Marinha nesta sexta-feira, no Rio, o presidente Jair Bolsonaro sugeriu que o projeto de uma moeda única entre Brasil e Argentina, anunciado durante viagem oficial ao país vizinho na quinta-feira, pode ser levado a toda a América do Sul. Perguntado se a ideia, atribuída ao ministro da Economia Paulo Guedes , seria aplicada em todo o continente, Bolsonaro afirmou que “essa é a ideia”. Bolsonaro disse ainda que a moeda comum poderia ser uma “trava em aventuras socialistas” no continente.
“Uma família começa por duas pessoas. A relação começou na Argentina, com o Paulo Guedes, e gostaria que outros países se preocupassem com isso também. Quem sabe fazer uma moeda única para a América do Sul?”, declarou.
Mais cedo, quando voltava de Buenos Aires para o Brasil, Bolsonaro disse que o projeto de moeda comum seria o primeiro passo para um sonho de integração regional. Lembrado sobre críticas feitas inclusive pelo presidente da Câmara , Rodrigo Maia , de que a moeda única poderia levar a uma desvalorização do real, Bolsonaro voltou a fazer uma analogia com casamentos e referiu-se à moeda única como um freio a alterações no rumo da política econômica de determinados governos.
“No casamento, você ganha de um lado e perde de outro. Às vezes você quer ver o jogo do Botafogo e não consegue levar sua esposa ao shopping. Mas, como em todo casamento, você ganha mais do que perde. A moeda é um deles. Temos muito mais a ganhar do que a perder. Acredito que isso nos dá uma trava em algumas aventuras socialistas que aconteceram por aqui”, afirmou.
Para especialistas, o projeto de moeda única é complexo porque os dois países têm realidades econômicas muito distintas . Além disso, especialistas afirmam que a ideia contraria o discurso da equipe econômica de Guedes, que nunca deu ênfase ao fortalecimento do Mercosul.
Bolsonaro também defendeu a assinatura de um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, endossado pelo presidente da Argentina Mauricio Macri. Mas se disse preocupado com o rumo das negociações – e da política sul-americana, de modo geral – em caso de vitória do grupo político da opositora Cristina Kirchner na eleição presidencial argentina de outubro. A ex-presidente da Argentina concorre como vice na chapa encabeçada por Alberto Fernández.
“Não fui à Argentina para fazer campanha. Mas me preocupo, sim, com um retorno da senhora Cristina Kirchner. Pedi aos argentinos que votem com a razão, e não com a emoção, e que abandonem os populismos”, disse Bolsonaro.
‘Há trabalho por fazer’, diz UE sobre acordo
A União Europeia alertou nesta sexta-feira que “ainda há trabalho a ser feito” nas negociações comerciais com os países do Mercosul, um dia depois que os líderes da Argentina e do Brasil consideraram um acordo “iminente”.
“A Comissão Europeia acolhe com satisfação e compartilha o compromisso político do Mercosul de levar as negociações comerciais a uma conclusão bem-sucedida”, disse uma porta-voz da Comissão Europeia à AFP. No entanto, a porta-voz da comunidade disse que “para que isso aconteça, ainda há trabalho a ser feito no nível técnico”, apesar das recentes discussões “construtivas” em meados de maio em Buenos Aires.
A UE e os países do Mercosul – Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai – iniciaram suas negociações em 1999 com vistas a um acordo de livre comércio em ambos os lados do Atlântico, que foram suspensas entre 2004 e 2010.
Bolsonaro elogiou também a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira, de não exigir que privatização de subsidiárias das estatais tenha de passar pelo crivo do Congresso. “O Supremo mostrou que está em comum acordo com o governo federal na ideia de menos Estado. Um país, quanto mais leis, decretos e portarias, é pior de viver e de empreender. Parabéns ao Supremo que, de certa forma, desamarrou a questão da privatização”.(O Globo)

