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terça-feira, maio 12, 2026

Esquerda vence na Colômbia

De acordo com a contagem rápida de votos, o ex-guerrilheiro ficou em primeiro lugar, com mais de 50% dos votos, contra cerca de 46% do populista de direita Rodolfo Hernández

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O ex-guerrilheiro Gustavo Petro, candidato do Pacto Histórico, foi eleito neste domingo presidente da Colômbia, levando a esquerda ao poder pela primeira vez no país sul-americano. De acordo com a contagem rápida de votos realizada pelo órgão oficial, o Registro Eleitoral, o candidato da esquerda teve 50,46% dos votos, contra 47,28% de Rodolfo Hernández, candidato populista adotado pela direita depois de ficar em segundo lugar no primeiro turno, no final de abril.

Petro, que disputou pela terceira vez a Presidência da Colômbia, superou 11,2 milhões de votos, acima dos 10,4 milhões obtidos pelo atual presidente, Iván Duque, que em 2018 venceu o segundo turno contra o agora presidente eleito. Hernández, candidato apoiado por toda a direita colombiana e pelos que rejeitam Petro, obteve cerca de 10,5 milhões de votos.

A participação eleitoral, num país no qual o voto não é obrigatório, atingiu 57,88%, ultrapassando os 54% do primeiro turno e alcançando o nível mais alto desde meados da década de 1970.

“Hoje é dia de festa para o povo, que festeja a primeira vitória popular. Que tantos sofrimentos sejam amortizados na alegria que hoje inunda o coração da pátria. Esta vitória é para Deus e para o Povo e sua história. Hoje é dia das ruas e praças”, postou Petro no Twitter após o resultado.

Duque se comunicou com Petro e se dispôs, segundo informou em sua conta no Twitter, a reunir-se com o presidente eleito nos próximos dias “para iniciar uma transição institucional e transparente”. Em discurso ao país, Hernández agradeceu o apoio dos colombianos que votaram nele, “mesmo sendo agora o perdedor”.

Pouco depois de votar neste domingo, o ex-prefeito de Bogotá e ex-senador afirmara no Twitter que “as medições nos colocam muito acima do outro candidato, todas serão publicadas. O único que nos resta é enfrentar a fraude”. O candidato pediu especial participação a mulheres e jovens, dois pilares de sua força política. Petro falou várias vezes em risco de fraude nas últimas semanas, mas finalmente obteve um triunfo contundente, rapidamente reconhecido por seus opositores.

Hernández, um fenômeno eleitoral que surpreendeu ao conseguir uma vaga no segundo turno com um discurso populista e antissistema, ficou em silêncio o dia todo, até que os resultados mostraram que Petro era o vencedor. Como fez na reta final de uma campanha que teve permanentes ataques e troca de farpas entre os dois candidatos, o candidato passou o dia na cidade de Bucaramanga, da qual foi prefeito, sem fazer declarações. Na última semana, quando as pesquisas mostravam um cenário de empate técnico, Hernández evitou aparecer e, apesar de uma ordem judicial, fugiu do debate com seu adversário.

Em Bogotá, o presidente Duque pedira aos colombianos que participassem em massa da eleição, “para defender a democracia”. No primeiro turno, realizado em 29 de maio, Petro foi o candidato mais votado, com 40%. Hernández ficou em segundo lugar, com 28%, se transformando automaticamente no candidato da direita colombiana.

Nas últimas três semanas, o candidato da esquerda obteve apoios importantes de antigos rivais, como o ex-candidato presidencial Alejandro Gaviria. Já Hernández contou com o respaldo do direitista Centro Democrático, partido liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010). O candidato da legenda, o ex-prefeito de Medellín Federico Gutiérrez, foi suplantado por Hernández no primeiro turno. Durante a primeira etapa da campanha, Fico, como é chamado pelos colombianos, bateu reiteradas vezes na tecla de que Petro representaria uma ameaça ao sistema democrático no país. (Janaína Figueiredo/O Globo).

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