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terça-feira, maio 12, 2026

Troca nos ministérios: Substitutos buscam apoio do Centrão ao assumir vagas

Número dois da pasta de Tarcísio Freitas fez ponte com Valdemar Costa Neto, enquanto auxiliar de Damares se filiou ao Republicanos

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Dos dez ministros que deixarão hoje o governo, oito deverão emplacar assessores diretos para substituí-los. Embora o Centrão não tenha ocupado os espaços no primeiro escalão, os novos titulares da pasta tiveram o respaldo do grupo político para serem nomeados. Aliados do governo dizem que indicar ministros já não é prioridade e avaliam que manter a estrutura das pastas, garantindo espaços no segundo escalão e também em órgãos federais, pode ser mais vantajoso do que se expor nos mais altos cargos da Esplanada.

A transferência voluntária de recursos para estados e municípios, por exemplo, é vedada nos três meses anteriores à eleição, ou seja, a partir de 2 de julho de 2022. Por esse cálculo, alguns políticos avaliam que se assumissem uma pasta teriam apenas cerca de três meses para atuar.

As trocas no governo

Troca nos ministérios: Substitutos buscam apoio do Centrão ao assumir vagas

Debate com líderes

Em fevereiro, Bolsonaro já indicava qual seria a tônica das trocas ministeriais, mas admitiu que as substituições estavam sendo debatidas com líderes do Centrão. Na ocasião, ele disse que “não haveria uma grande negociação política nisso aí”, em referência aos novos comandos das pastas. O presidente também contou, à época, que discutia as trocas com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, com o seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP).

Secretário-executivo do Ministério da Infraestrutura desde o início do governo Bolsonaro, Marcelo Sampaio procurou Valdemar para ter o aval para ficar com a cadeira de Tarcísio de Freitas, que deixa o governo para disputar o governo de São Paulo. Servidor de carreira do Ministério da Economia, Sampaio já era considerado o sucessor natural de Tarcísio, tem bom relacionamento com o presidente e é genro do ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria-Geral da Presidência. Ainda assim buscou o apoio do cacique do PL, cujo partido historicamente tem espaço na área que passará a comandar.

Escolhida pela ministra Damares Alves para substituí-la na pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos, a secretária nacional de Política para Mulher, Cristiane Britto, é ligada ao Republicanos. Por dez anos, ela foi advogada eleitoral do partido presidido pelo deputado Marcos Pereira (SP), um dos líderes no Centrão. A nova ministra, que tem o apoio da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, filiou-se à sigla na última segunda-feira.

No Ministério da Agricultura, o secretário-executivo Marcos Montes ficará no lugar da ministra Tereza Cristina, que concorrerá ao Senado pelo Mato Grosso do Sul. Ex-deputado federal pelo PSD, Montes foi, assim como sua antecessora, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

A Secretaria de Governo, responsável pela articulação política, será assumida pelo chefe de gabinete de Bolsonaro, Célio Faria. Ele substitui a ministra Flávia Arruda, que deve disputar o Senado pelo Distrito Federal. Célio, que foi assessor parlamentar da Marinha, teve o apoio de deputados e líderes do Centrão. Outra escolha pessoal de Bolsonaro foi a indicação do comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira, para o lugar do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, que, filiado ao PL, deixará o governo para disputar como vice na chapa do presidente. (Jussara Soares e Julia Lindner/O Globo).

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