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O retorno de Getúlio Vargas, para resolver o imbróglio do Panambizinho

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27/07/2016 – 09h26

Desde o dia em que sobrevoou a Grande Dourados, em sua ida a Ponta Porã para churrasquear com os donos da Companhia Mate Laranjeira, que o presidente Getúlio Vargas pretendia voltar para ver o resultado da canetada histórica com a qual criou a Colônia Agrícola Nacional de Dourados. A primeira agenda era para o final da década de 1970, mas Vargas não quis dividir os holofotes com seu conterrâneo, o general-presidente Ernesto Geisel, que marcara para a mesma época o lançamento do Prodegran – Programa de Desenvolvimento da Grande Dourados, como parte dos preparativos para a criação do Mato Grosso do Sul, em cumprimento ao desiderato da marcha para o Oeste, por ele concebida lá nos anos 30, durante seu primeiro período de governo.

Com a chegada – que esperava ansioso – de correligionários trabalhistas do velho Mato Grosso, primeiro Harrison de Figueiredo (2005), depois Vivaldi de Oliveira (2010) e João Totó Câmara (2012), o presidente aproveitou para melhor se inteirar dos resultados de seu projeto, até porque não queria pagar mico, diante das notícias de que Lula da Silva tinha intenções de ocupar seu lugar no panteão da história. Mesmo assim, já calçando as sandálias da humildade, pela visão de mundo lá de cima, até tentou pegar uma carona no aero Lula, em 2010, mas, novo adiamento, depois de advertido de que a cidade administrada pelo também conterrâneo Ari Valdecir Artuzi estava na iminência de ser atingida por um grande furacão (uragano, em italiano).

Chauvinista, Vargas ficou ainda mais interesse em retornar depois de acompanhar pelo binóculo celestial a implantação, em Dourados, do Sisfron – o projeto militar de monitoramento da mesma fronteira que tanto lhe tirava o sono. Não teve mais dúvidas de que era só esperar a hora certa para a tão cobiçada carona, na esperança de que Dilma Rousseff também se interessasse por esse tipo de coisa. Afinal, a viagem de um ex-presidente à pátria amada não tinha como não começar por Brasília, a capital cuja construção acompanhara com muita apreensão, embora JK tivesse seguido seu roteiro, ao escolher o até então ermo, mas pra lá de seguro Centro-Oeste brasileiro. Veio o mensalão, e a Lava Jato. E o velho Getúlio tremeu nas bombachas.

Ops!, retorno por Brasília? Vai que o Lacerda está por lá tramando algum golpe com o Cunha! E foi assim que, mesmo ressentido com os paulistas, ainda por conta da Revolução Constitucionalista que tentou tirá-lo do poder em 1932, volitou até Cumbica, onde conseguiu pegar um passaredo que saia para Dourados. Viajou incógnito, acompanhado apenas pelo cartorário petebista Perciliano Bueno Cavalheiro. É que muito mais que certificar-se da assertiva do primeiro grande projeto fundiário do país Getúlio Vargas pretendia corrigir uma injustiça, com o deslinde da intrincada questão agrária do Panambizinho, agravada pela decisão do ex-Ministro da Justiça Nelson Jobim de devolver mil e quatrocentos hectares de áreas produtivas a um pequeno grupo de índios que ocupavam dois lotes (da Colônia) pertencentes ao espólio de Mário Bagordache.

Só em sonho, mesmo. Antes que algum repórter viesse encher sua paciência, querendo saber quem vai ser o próximo prefeito, Getúlio bateu um fio para Murilo Zauith, perguntando se seu Malibu Matrix tinha autonomia de voo igual ou maior que a do avião sugerido por Delcídio do Amaral para a fuga de Nestor Cerveró. Não que estivesse fugindo também, ele só precisava fazer uma conexão na Argentina, para “tirar umas” na cara dos herdeiros dos Mendes Gonçalves, depois da rasteira que deu neles, em sua primeira viagem, quando indeferiu o pedido de prorrogação, por mais cinquenta anos, do arrendamento das áreas ocupadas pela Mate Laranjeira para nelas começar a fazer a primeira reforma agrária no Brasil.

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Em 1995, em Dourados, o ministro da Justiça, Nelson Jobim (centro) e o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro (esquerda), na famosa

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