14/12/2016 – 15h12
Símbolo da igreja progressista, cardeal enfrentou a ditadura militar
SÃO PAULO — Morreu nesta quarta-feira, por volta das 11h45min, o arcebispo emérito de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns, aos 95 anos. Ele estava internado desde o dia 28 de novembro no Hospital Santa Catarina, região central de São Paulo. De acordo com o comunicado do hospital, ele faleceu em decorrência de falência múltipla de órgãos. Ele será velado na Catedral da Sé, região central de São Paulo, numa cerimônia que deve durar 48 horas. O corpo deverá será enterrado na cripta da catedral.
Em nota, o Arcebispo metropolitano de São Paulo, Dom Odilo Scherer, disse que Dom Paulo “entregou sua vida a Deus, depois de tê-la dedicado generosamente aos irmãos neste mundo”.
“Louvemos e agradeçamos ao ‘Altíssimo, onipotente e bom Senhor’ pelos 95 anos de vida de Dom Paulo, seus 76 anos de consagração religiosa, 71 anos de sacerdócio ministerial, 50 de episcopado e 43 anos de cardinalato”, diz Dom Odilo em um trecho do comunicado.
Dom Paulo estava internado por causa de uma broncopneumonia. Na segunda-feira, a Arquidiocese de São Paulo emitiu um comunicado informando que o estado de saúde dele se agravou nos últimos dias, convidando todos a rezarem pelo cardeal.
Arcebispo metropolitano de São Paulo de 1970 a 1998, dom Paulo foi um dos principais nomes na luta contra a ditadura e ficou conhecido como o “cardeal da esperança”. Quando assumiu a Arquidiocese de São Paulo, em 1970, uma de suas primeiras medidas foi vender o Palácio Pio XII, residência oficial do arcebispo, para financiar terrenos e construir casas na periferia.
Ao lado do pastor presbiteriano Jaime Wright, coordenou o projeto Brasil Nunca Mais, que reuniu documentos e denunciava a prática de crimes cometidos por agentes de Estado contra presos políticos. Em livro, relataram métodos de tortura e acusações ilegais. Em 1972, criou a Comissão Brasileira Justiça e Paz, que articulou denúncias contra abusos do regime militar.
Em 1985, o cardeal criou a Pastoral da Infância, com o apoio da irmã Zilda Arns, que morreu no terremoto de 2010 no Haiti, onde realizava trabalhos humanitários.
Em junho do ano passado, Dom Paulo chegou a ficar internado no mesmo hospital após uma indisposição.

