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O maior dos obreiros na secretaria de Obras

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02/01/2017 – 08h47

Mais ou menos na metade de seu esticado mandato de seis anos que acabou encolhido para cinco e pouco por causa da desincompatibilização para a disputa do governo do Estado, quando já começava a calar a boca dos adversários pelo grande canteiro de obras em que estava transformando a cidade, o prefeito José Elias Moreira começou a desconfiar da gatunagem. Como não sabia o que fazer com três adolescentes indicados por companheiros da velha UDN, chamou os piás para uma conversa reservada e, providenciada uma engenhoca composta apenas de um pedaço de caibro atravessado por um prego sobrando quatro centímetros os “nomeou” fiscais da prefeitura. A missão, conferir a espessura das três frentes de asfalto executadas na parte alta da cidade, cada uma por uma empreiteira diferente. Se o prego não cravasse totalmente na massa asfáltica logo após a compactação é porque alguma coisa estava errada. Não demorou, depois de um dia intenso atrás de recursos em Brasília, Zé Elias recebeu um recado para entrar em contato com um de seus jovens fiscais. Do outro lado da linha o jovem desesperado: “prefeito, estão nos roubando!”. O prego havia entrado só dois centímetros no asfalto.

Pode parecer um simples repeteco, provocado pela ressaca do Revéillon, mas a historinha que contei em 2012 ao sugerir o nome do ex-prefeito José Elias Moreira para o ministério da então presidente Dilma Rousseff, já ali atolada em denúncias de corrupção, vem bem a propósito do ato de maior magnitude do primeiro dia de trabalho da prefeita Délia Razuk – a mudança de status daquele que foi o maior prefeito da história, de secretário de planejamento para secretário de obras. Mais que emblemático, por tudo que Zé Elias fez quando prefeito, embora o secretário de governo Raufi Marques, numa de suas muitas alfinetadas no antecessor da chefa tenha explicado que a inesperada mudança se dava porque Murilo Zauith havia invertido as funções das duas secretarias.

Emblemático porque, de cara, ao assumir a prefeitura Délia Razuk assume também uma condição parecida com a da mulher de César, àquela que não bastava ser honesta, mas que deveria parecer honesta. No concernente à alfinetada de Raufi em Murilo, muito mais pela coragem da prefeita Délia de tomar uma atitude diante de um ato que parecia equivocado do que, propriamente, pela tal inversão de papéis das pastas, já que todo mundo sabe que o ex-prefeito esvaziou a secretaria de Obras, dando superpoderes ao Planejamento apenas para não comprar uma briga que seria indigesta com o sempre encrencado, mas cada vez mais todo-poderoso (mostrou isso na eleição da mesa da Câmara) demo Zé Teixeira, padrinho político do titular da pasta.

Na parte que lhe toca na história, ainda para não perder o texto lá de trás, mais emblemático ainda, pois que naquela ocasião Zé Elias não titubeou, mesmo tendo que cortar a própria carne, pondo no olho da rua o secretário que estava de três cantos com a empreiteira fazendo asfalto casca de ovo. E olha que não era um secretário qualquer. O de Zé Elias. Como Zé Elias não é, agora, de Délia Razuk.

Ah, quase esqueço: que Zé Elias encontre outros “fiscais” como os filhos de seus correligionários udenistas, e que a prefeita Délia Razuk também faça uso não apenas da artesanal engenhoca para medir a espessura do asfalto, mas também de outras, para impedir que seus secretários evitem os retornos, ops!, que tem encrencado a vida de tanta gente boa que se aventura na política.

José Elias Moreira, secretário de obras

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