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Ambiente em Davos está favorável ao Brasil

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17/01/2017 – 13h14

Ministro diz que investidores internacionais mostraram interesse em investir no país

DAVOS – O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou, nesta terça-feira, que investidores e empresários estrangeiros estão impressionados com os avanços que o Brasil conseguiu na política fiscal graças à aprovação pelo Congresso da proposta de emenda à Constituição (PEC) que fixa um teto para os gastos públicos. Segundo ele, a medida está sendo apontada como um exemplo a ser seguido por outros países. Meirelles e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, participaram hoje de almoço com um seleto grupo de investidores internacionais organizado pelo banco Itaú durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.

“Com investidores e empresários, é unanimidade de que há um interesse muito grande sobre o Brasil. O ajuste fiscal impressiona as pessoas e muitos dizem que é um exemplo para os países desenvolvidos. Está sendo vista muito favoravelmente a aprovação da PEC do teto para os gastos, além da questão da estruturação da dívida dos estados” disse o ministro após o almoço.

Ele disse que, durante o almoço, detalhou para os empresários as medidas de incentivo ao crescimento que acabam de ser anunciadas pela equipe econômica e que ajudarão a reduzir a burocracia e a recuperar empresas em dificuldades financeiras. Uma das ações é a criação de um novo Refis, pelo qual os empresários poderão abater prejuízos de suas dívidas tributárias e renegociar débitos com o Fisco:

“Impressionou os empresários e investidores que não estavam a par disso. A Receptividade em Davos está muito positiva e vejo um ambiente mais positivo em relação ao Brasil aqui do que no próprio Brasil”, disse. Para ele o novo programa não estimula a sonegação de impostos, como apontam críticos da medida. Ao permitir a renegociação de débitos tributários o governo estaria estimulando os contribuintes a não acertarem as contas com o Leão.

“Ele (programa) funciona muito bem do nosso ponto de vista. Ajuda as empresas em dificuldade, mas não funciona como um desincentivo ao futuro pagamento de impostos, pois não tem desconto de juros e multa”, disse Meirelles, lembrando que a expectativa de arrecadação é de R$ 10 bilhões.

O ministro disse que não foi questionado sobre a legitimidade do governo ou sobre a possibilidade de o presidente Michel Temer não terminar o mandato por causa do processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que avalia a possibilidade cassação da chapa eleitoral Dilma/Temer.

“Eu não tenho recebido essa pergunta. É um governo que está empossado por um procedimento constitucional, aprovado pelo Congresso. O que as pessoas estão olhando é a consistência do programa econômico. Esta é a visão que está prevalecendo hoje. (…) Os investidores estão de fato positivamente impressionados com o fato de que esse é um governo que tem uma taxa de aprovação de projetos muito boa. Está sendo capaz de enfrentar reformas profundas e difíceis”.

O ministro não se mostrou preocupado com o impacto que o aumento dos juros nos Estados Unidos pode ter sobre o Brasil, especialmente no câmbio. Com a alta das taxas, o mercado americano se torna mais atraente e provoca uma alta do dólar. Segundo Meirelles, essa é uma normalização da política monetária nos Estados Unidos que já era esperada:

“O fato concreto é que temos câmbio flutuante e estamos confortáveis com o nível das taxas de juros. Eu chamaria de normalização monetária nos Estados Unidos. Não pode ser considerado normal o que houve nos últimos anos. O mundo estará lidando com a normalização da política monetária nos Estados Unidos. Ela é esperada, normal e está nos preços”, disse.

Após o almoço, empresários que preferiram não se identificar disseram que o Brasil está no caminho certo e que o discurso das autoridades do governo soa melhor em 2017.

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