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domingo, junho 21, 2026

A miséria prevista por Azambuja em contraste com a gastança em propaganda da Assembleia

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10/04/2017 – 10h03

Mais flagrante impossível, até parecendo provocação. No mesmo espaço em que o governador Reinaldo Azambuja escreve a crônica de uma miséria anunciada para os três poderes do Parque, caso os deputados não aprovem a proposta de emenda constitucional do teto para acabar com a gastança, o exemplo público e notório do desperdício do dinheiro público. E olha que não é a primeira vez, já vem de dias essa afronta da Assembleia Legislativa com a ocupação de todos os espaços possíveis na mídia estadual, para alardear, senão o nada o óbvio ululante. Em horário nobre e, como tal, mais caro, da TV, da mesma forma nos tradicionais jornalões impressos, nos sites da capital e do interior, e, pior, em veículos de “comunicação” sem nenhuma audiência, mas para atender a apaniguados de deputados, alguns até despachando em gabinetes da própria Assembleia, o que só aumenta a suspeita de que o chucho é grande.

A matéria estampada na manchete da terceira página do Correio do Estado desta segunda-feira observa que “sem o poder da caneta para vetar eventuais mudanças na PEC do teto dos gastos, o governador Reinaldo Azambuja orientou a sua base aliada para derrubar todas as emendas”. E, na sequência, o que soaria como deboche, não fosse o fato de que a editoria de política do mais tradicional jornal da capital certamente não tem conhecimento do conteúdo do espaço reservado a seus anunciantes – “a preocupação do governador é manter intacta a proposta de acabar com a farra da gastança irresponsável (o grifo é do blog), porque os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – serão afetados com o rigor das medidas de controle de gastos”.

Claro que, em tese, os poderes são independentes, daí porque o governador se limita a “alertar” os deputados, como se preciso fosse, de que sem as medidas, mesmo que impopulares, “o Estado quebra”, porque faltará dinheiro até para folha salarial. E não é só os três poderes que serão atingidos com as medidas impostas pela PEC do Teto. Os órgãos com autonomia financeira, como Tribunal de Contas do Estado, Ministério Público Estadual e Defensoria Pública, também, terão de ajustar as contas com o limite estabelecido.

Mais grave que a sem-cerimônia para com o dinheiro público do demo secretário Zé Teixeira e do presidente peemedebista Junior Mochi, não por coincidência num ano pré-eleitoral em que um trabalha para ser vice-governador e o outro senador, é a afronta ao leitor e eleitor, toda vez que essa mídia é veiculada com a esfarrapada desculpa de que “em momentos de dificuldades é preciso rever conceitos e se adequar aos novos tempos” e que “a Assembleia assimila esse sentimento e adota medidas administrativas e estruturais”. Imagina se não assimilasse! Será que rever conceitos não implicaria, por exemplo, em utilizar esses mesmos espaços para, sem sofismas, anunciar à sociedade o resultado das investigações quanto às gravíssimas denúncias do deputado Ary Rigo sobre repasse de dinheiro ao Judiciário? Que este insistente “reformar é preciso” tenha o efeito do velho e bom “água mole em pedra dura tanto bate até que fura” e que o eleitor se convença de que é preciso, sim, reformar, mas todo o plenário da Assembleia Legislativa.

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