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domingo, agosto 16, 2026

À meia-noite e um, começou a caça ao eleitor

Campanha mal havia sido liberada e candidatos de MS já estavam nas redes e nas ruas; até 4 de outubro, resta saber quem conseguirá sobreviver aos 49 dias seguintes

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Nem bem o relógio passou da meia-noite e a eleição de 2026 já estava pedindo voto em Mato Grosso do Sul. Como registrou na manhã deste domingo o Campo Grande News, candidatos aproveitaram os primeiros minutos do período oficialmente autorizado pela Justiça Eleitoral para despejar nas redes sociais números, slogans e pedidos de voto. Rose Modesto e Soraya Thronicke chegaram a transformar a madrugada em ato de campanha, com os primeiros adesivos em veículos, enquanto Eduardo Riedel colocou seu jingle na praça virtual. A campanha começou oficialmente neste 16 de agosto, mas, pela pressa demonstrada por alguns de seus protagonistas, alguém desavisado poderia imaginar que a eleição seria antes do café da manhã.

Não será. Ainda faltam 49 dias para 4 de outubro. E talvez esteja justamente aí a primeira curiosidade desta campanha que nasceu na madrugada: se candidato já estava com o adesivo na mão à meia-noite e um, imagine o estado do eleitor quando chegarmos ao primeiro domingo de outubro.

A partir de hoje está liberado praticamente todo o arsenal convencional da caça ao voto: propaganda na internet, inclusive impulsionada, distribuição de material gráfico, caminhadas, carreatas, passeatas e comícios. Alto-falantes e amplificadores podem funcionar das 8 às 22 horas, e comícios com sonorização fixa podem avançar até a meia-noite. O rádio e a televisão ainda oferecem uma pequena trégua: o horário eleitoral gratuito só começa em 28 de agosto. E as enquetes sobre a eleição, atenção aos mais afoitos, estão proibidas a partir de hoje.

É uma mudança aparentemente burocrática no calendário eleitoral, mas que produz uma transformação instantânea na paisagem. Até ontem tínhamos pré-candidatos que não podiam pedir voto. Hoje temos candidatos que podem pedi-lo sem cerimônia. Aquela fotografia cuidadosamente casual, aquela visita absolutamente desinteressada ao boteco, aquele abraço espontâneo no feirante e aquela postagem que por coincidência trazia nome, rosto, cores e slogan agora podem dispensar o biombo. A campanha saiu do armário.

E saiu cedo.

À meia-noite e um.

A pressa talvez seja compreensível. Mato Grosso do Sul entra na campanha com 419 candidaturas registradas, segundo levantamento publicado também neste fim de semana pelo mesmo Campo Grande News. É muita gente procurando atenção ao mesmo tempo, num ambiente em que o velho santinho disputa espaço com Instagram, WhatsApp, TikTok, vídeo, jingle, impulsionamento e sabe-se lá o que a inteligência artificial ainda fará até outubro.

Aliás, a pobre IAIA que se cuide.

Porque se até ontem ela ajudava este velho insubordinado a escarafunchar porteiras, boiadas, zebras e coronéis, a partir de hoje certamente será convocada por algum marqueteiro para fazer candidato parecer mais bonito, discurso parecer mais inteligente e promessa velha ganhar embalagem de novidade.

Mas há uma tecnologia eleitoral que continua imune à inteligência artificial: a urna.

Nela não adianta filtro, impulsionamento, jingle chiclete nem adesivo colado à meia-noite e um. E talvez seja essa a melhor notícia para o eleitor nesta manhã inaugural de campanha.

Começou a temporada em que todo candidato tentará convencê-lo de que é indispensável.

Felizmente, em 4 de outubro, continua sendo o eleitor quem decide quem era.

contrapontoMS, com Campo Grande News

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