A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro teve um agradecimento especial na noite deste domingo (25): o presidente reeleito fez questão de destacar o trabalho do deputado federal André Janones, a quem chamou de “nosso general” e atribuiu um papel “exponencial” na campanha. No discurso da vitória, Lula afirmou que o parlamentar foi fundamental para levantar diariamente o moral da militância e sinalizou que a experiência da campanha digital terá reflexos em seu próximo governo.
“Quero agradecer ao Janones, nosso general, que teve um papel exponencial, de levantar todo dia a moral da nossa tropa”, declarou Lula. Na mesma fala, o presidente afirmou que as eleições lhe ensinaram lições e anunciou que pretende ampliar a participação popular nas decisões do governo. Também antecipou que a comunicação digital ganhará mais espaço na nova gestão.
O reconhecimento público coroa uma campanha em que Janones assumiu protagonismo na reta final do segundo turno, especialmente depois de Lula terminar a primeira etapa da disputa atrás de Flávio Bolsonaro. O deputado organizou e comandou o chamado “Exército do Lula”, canal de mobilização no WhatsApp que ultrapassou a marca de 10 milhões de participantes.
Da retaguarda ao centro da campanha
A atuação de Janones ganhou força depois do primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Diante do resultado desfavorável, o deputado intensificou a mobilização digital, convocou apoiadores a compartilhar conteúdos, responder a mensagens de adversários e ampliar a presença do candidato nas redes.
A estratégia apostou em uma linguagem direta, marcada por ordens, tarefas e bordões que transformaram os apoiadores em participantes ativos da campanha. O “Exército do Lula” passou a funcionar como uma rede organizada de engajamento, com orientações para divulgar publicações, estimular manifestações de apoio e levar a disputa política aos grupos e conversas do cotidiano.
A operação não ficou restrita ao ambiente virtual. O próprio Janones resumiu a estratégia durante uma transmissão ao vivo: “É rede e rua. Só rede não vence eleição”. A mobilização digital se somou aos atos presenciais, à atuação dos partidos e à campanha tradicional.
Lula já havia elogiado o general na véspera
Na véspera da votação, em uma transmissão de campanha comandada por Janones, Lula já havia reconhecido a capacidade de mobilização do deputado. Em uma ligação telefônica transmitida ao vivo, o presidente afirmou que Donald Trump, Xi Jinping e Vladimir Putin teriam inveja do “exército” de apoiadores brasileiros.
“Você é um general de muita eficácia porque tem mobilizado a tropa”, disse Lula ao parlamentar. A conversa ocorreu pouco antes de o presidente seguir para o ato de encerramento da campanha na Avenida Paulista, em São Paulo.
A transmissão integrou a chamada “Live da Virada”, que manteve apoiadores mobilizados na reta final da disputa. Janones distribuiu tarefas digitais e estimulou a militância a ocupar as redes, enquanto Lula agradeceu aos participantes e reforçou a importância da mobilização.
A virada e o reconhecimento
O papel de Janones tornou-se mais visível à medida que a campanha avançou para o segundo turno. O canal no WhatsApp, a atuação nas redes e as transmissões ao vivo deram à candidatura de Lula uma estrutura de mobilização digital de grande escala, num momento em que a disputa exigia ampliar o alcance das mensagens e recuperar terreno após o resultado da primeira rodada.
A vitória final não pode ser atribuída a uma única estratégia. O resultado eleitoral envolve fatores diversos, entre eles a campanha nas ruas, as propostas dos candidatos, as alianças políticas, a participação dos eleitores e a comunicação tradicional. Ainda assim, a dimensão alcançada pelo “Exército do Lula” e o reconhecimento explícito de Lula colocaram Janones entre os personagens de destaque da reta final.
Ao anunciar que a comunicação digital ganhará mais espaço no próximo governo, o presidente reeleito também indicou que pretende incorporar à gestão uma das lições extraídas da campanha: a necessidade de conversar com a população de forma mais direta e de ampliar os canais de participação.
O “general Janones”, que passou boa parte da campanha convocando a tropa virtual, terminou a noite da vitória no palco do reconhecimento público. Lula agradeceu-lhe diante dos apoiadores e deixou um recado sobre o futuro: a mobilização digital não termina com a apuração dos votos.
