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sexta-feira, outubro 23, 2026

Em carta sem citar Flávio, bispos católicos relacionam candidatura à ameaça da democracia

O documento conta com mais de 50 assinaturas de 20 estados diferentes

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Bispos católicos divulgaram uma carta aberta direcionada ao “povo de Deus” em que tratam sobre o 2° turno das eleições presidenciais. Eles defendem que os fiéis compareçam para votar neste domingo (25/10) e associam a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) a uma ameaça à democracia. 

Embora o nome de Flávio não seja citado, a carta faz referência clara a ele ao abordar as pautas que apoia e ao destacar as realizações da gestão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Um dos pontos inicialmente levantados diz respeito ao posicionamento adotado durante parte da campanha eleitoral contra o fim da escala de trabalho 6×1. 

“A candidatura que sempre foi contra o fim da escala 6×1 e propunha pagar o salário por hora trabalhada, não reconhece a dignidade do trabalhador e poderá voltar a este tema”, escrevem.

Eles também alertam: “Uma das candidaturas ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI, a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum. Não se trata apenas de uma escolha eleitoral, mas da possibilidade de uma mudança profunda nos rumos da nação”.

“Um dos candidatos é filho do presidente que foi condenado e preso por atentar contra a democracia e segue suas ideias. Fez várias declarações de ameaça à ordem constitucional e, se eleito, governará com maioria absoluta no Congresso Nacional e no STF, criando as condições para uma usurpação do poder e submissão do país à sua ideologia”, destacam.

O documento, até o momento da publicação desta matéria, conta com 56 assinaturas de 20 estados brasileiros. Eles defendem que o cenário eleitoral posto demanda que a Igreja se manifeste e que auxilie os católicos em sua decisão, ao evidenciar antagonismos entre os ensinamentos religiosos e o defendido por um dos candidatos. 

“Quem se calou diante das ameaças totalitárias que se concretizaram na Europa do século XX deixou uma herança vergonhosa para as gerações seguintes”, enfatizam.

Os bispos também citam a aproximação com o governo dos Estados Unidos (EUA) defendida por Flávio. “Um dos candidatos promete submissão do Brasil aos EUA, fez parte de uma conspiração para taxar produtos brasileiros, defende a intervenção estrangeira em nossas eleições e promete entregar nossas terras raras à exploração dos EUA”, criticam.

A carta também rechaça o posicionamento adotado pela candidatura bolsonarista em relação aos programas sociais, ao acesso amplo às armas e ao negacionismo diante a crise climática “que caracterizaram o Governo de seu pai e a atuação de seu partido no Congresso”. Há menções também a quando Jair Bolsonaro homenageou um torturador da época da ditadura militar brasileira, o general Brilhante Ustra.

O texto, em determinado momento, se refere a “outra candidatura”, mas sem mencionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorre à reeleição. Eles relacionam a candidatura à responsabilidade com os pobres e ao respeito à Constituição. “Gostar ou não do atual Governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja”, dizem.

A carta é encerrada com uma convocação aos fiéis: “Conclamamos a todos os católicos para que não deixem de exercer seu direito e votem no dia 25 de outubro, em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres e dos ensinamentos de nossa Igreja”. 

Luíza Altoé/Correio Braziliense

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