Bispos católicos divulgaram uma carta aberta direcionada ao “povo de Deus” em que tratam sobre o 2° turno das eleições presidenciais. Eles defendem que os fiéis compareçam para votar neste domingo (25/10) e associam a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) a uma ameaça à democracia.
Embora o nome de Flávio não seja citado, a carta faz referência clara a ele ao abordar as pautas que apoia e ao destacar as realizações da gestão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Um dos pontos inicialmente levantados diz respeito ao posicionamento adotado durante parte da campanha eleitoral contra o fim da escala de trabalho 6×1.
“A candidatura que sempre foi contra o fim da escala 6×1 e propunha pagar o salário por hora trabalhada, não reconhece a dignidade do trabalhador e poderá voltar a este tema”, escrevem.
Eles também alertam: “Uma das candidaturas ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI, a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum. Não se trata apenas de uma escolha eleitoral, mas da possibilidade de uma mudança profunda nos rumos da nação”.
“Um dos candidatos é filho do presidente que foi condenado e preso por atentar contra a democracia e segue suas ideias. Fez várias declarações de ameaça à ordem constitucional e, se eleito, governará com maioria absoluta no Congresso Nacional e no STF, criando as condições para uma usurpação do poder e submissão do país à sua ideologia”, destacam.
O documento, até o momento da publicação desta matéria, conta com 56 assinaturas de 20 estados brasileiros. Eles defendem que o cenário eleitoral posto demanda que a Igreja se manifeste e que auxilie os católicos em sua decisão, ao evidenciar antagonismos entre os ensinamentos religiosos e o defendido por um dos candidatos.
“Quem se calou diante das ameaças totalitárias que se concretizaram na Europa do século XX deixou uma herança vergonhosa para as gerações seguintes”, enfatizam.
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Os bispos também citam a aproximação com o governo dos Estados Unidos (EUA) defendida por Flávio. “Um dos candidatos promete submissão do Brasil aos EUA, fez parte de uma conspiração para taxar produtos brasileiros, defende a intervenção estrangeira em nossas eleições e promete entregar nossas terras raras à exploração dos EUA”, criticam.
A carta também rechaça o posicionamento adotado pela candidatura bolsonarista em relação aos programas sociais, ao acesso amplo às armas e ao negacionismo diante a crise climática “que caracterizaram o Governo de seu pai e a atuação de seu partido no Congresso”. Há menções também a quando Jair Bolsonaro homenageou um torturador da época da ditadura militar brasileira, o general Brilhante Ustra.
O texto, em determinado momento, se refere a “outra candidatura”, mas sem mencionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorre à reeleição. Eles relacionam a candidatura à responsabilidade com os pobres e ao respeito à Constituição. “Gostar ou não do atual Governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja”, dizem.
A carta é encerrada com uma convocação aos fiéis: “Conclamamos a todos os católicos para que não deixem de exercer seu direito e votem no dia 25 de outubro, em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres e dos ensinamentos de nossa Igreja”.
Luíza Altoé/Correio Braziliense
