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Bebianno não pretende pedir demissão e aguarda decisão do presidente

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14/02/2019 – 09h51

Interlocutores não arriscam o desfecho da tensão palaciana. Moro começa investigar

O Palácio do Planalto amanheceu nesta quinta-feira sob o clima de expectativa de uma possível saída do ministro-chefe da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, do governo. A aliados, Bebianno não tem demostrado a intenção de deixar o cargo voluntariamente, cedendo à pressão do vereador Carlos Bolsonaro, filho mais próximo do presidente Jair Bolsonaro .

Segundo interlocutores do Planalto, a espera agora é por uma atitude do presidente: ou demite o ministro, ou age para conter a crise de governo deflagrada pela família. Até agora, no entanto, ninguém arrisca o desfecho da tensão palaciana, que se tornou pública após Carlos ir às redes sociais dizer que Bebianno mentiu ao declarar ao jornal O Globo que havia falado três vezes com o presidente .

Durante a madrugada, a demissão de Bebianno e os possíveis desdobramentos do caso foram temas de reunião de aliados do ministro, telefonemas e mensagens de WhatsApp. Nas conversas que vem mantendo com assessores e aliados, Bebianno afirmou que se manterá em silêncio sobre as declarações de Bolsonaro, respeitando o cargo que ainda mantém como secretário-geral da Presidência.

Alvo de um ataque público do filho do presidente, Bebianno passou a ter ao seu lado militares, que consideram um “erro” do presidente o modo como deixou a crise se instalar no Palácio do Planalto.
Integrantes do governo analisam que a demissão de Bebianno dará “superpoderes” no Executivo a Carlos, que é apenas vereador no Rio e não ocupa cargo no governo. Reservadamente, Bolsonaro vem sendo criticado por, ao ter replicado as mensagens do filho, ter endossado o ataque ao ministro , um dos seus mais antigos aliados e coordenador de sua campanha.

Na quarta-feira, Carlos chegou a divulgar um áudio do presidente para contestar Bebianno, que, em entrevista ao mesmo jornal, afirmou ter conversado três vezes com o presidente na terça-feira, por mensagens de WhatsApp. Em entrevista a GloboNews, na noite de quarta-feira, ele voltou a reafirmar o contato com o presidente para tratar de questões institucionais e o cancelamento da viagem ao Pará. O Palácio do Planalto não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

A declaração de Bebianno ao jornal carioca, contestada por Carlos, foi dada ao negar que sofria um processo de desgaste após ser acusado de envolvimento no caso de candidaturas laranjas , conforme reportagem publicada pela “Folha de S.Paulo” no último domingo.

Segundo o texto, o PSL destinou R$ 400 mil de fundo partidário para Maria de Lourdes Paixão, de 68 anos, candidata a deputada federal de Pernambuco que recebeu apenas 274 votos . Na época, Bebianno era presidente da legenda. Ele comandou o partido entre janeiro e outubro de 2018.

Bebianno afirmou que o deputado federal Luciano Bivar (PE), atual presidente do PSL e cujo grupo comanda a legenda em Pernambuco, é quem deve responder sobre Maria de Lourdes. Bivar a teria indicado para receber os recursos.

Moro entra no caso

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro , disse que a determinação do presidente Jair Bolsonaro de investigar repasses suspeitos de dinheiro público por parte do PSL a possíveis candidatos laranja nas últimas eleições “está sendo cumprida”. Questionado sobre o assunto ao fim de um evento com magistrados da Justiça Federal, Moro não deu detalhes, porém, se há inquéritos formalmente abertos e nem quais casos serão objeto de apuração, uma vez que há duas situações suspeitas, uma em Minas Gerais e outra em Pernambuco.

— O senhor presidente Jair Bolsonaro proferiu uma determinação e a determinação está sendo cumprida. Os fatos vão ser apurados e eventuais responsabilidades, após as investigações, vão ser definidas — disse o ministro.

Suspeitas de que o PSL, partido de Bolsonaro, repassou verba pública destinada a campanha eleitoral a candidatos que funcionavam como laranjas , em Pernambuco e em Minas, abriram uma crise no governo. A permanência no governo do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebbiano, que era presidente da sigla à época, foi inclusive colocada em dúvida por Bolsonaro em entrevista ontem .

Moro anunciou que deverá entregar o pacote legislativo de combate ao crime ao Congresso Nacional na semana que vem. Ele estava esperando Bolsonaro se recuperar da cirurgia à qual foi submetido para fazer uma entrega simbólica do pacote ao Legislativo. A medida é considerada uma das vitrines do governo nas políticas contra a violência.

Ministro Bebianno, na corda bamba, já

Ministro da Justiça, Sérgio Moro

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