08/04/2019 – 14h34
Novo nome vem do mercado financeiro e estava na Casa Civil; ex-ministro acumula críticas
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou nesta segunda-feira (8) um novo nome para o ministério da Educação. Abraham Weintraub entra no lugar de Ricardo Vélez Rodríguez. Em edição extra do Diário Oficial da União desta segunda, Bolsonaro exonerou Vélez e nomeou Abraham Weintraub para o cargo, liberando-o da função que ocupava. A cerimônia de posse de Abraham já tem data. Ocorre nesta terça-feira (9), às 14h, no Palácio do Planalto.
Inicialmente, Bolsonaro havia anunciado pelas redes sociais que o novo ministro possuía o título de doutorado, mas corrigiu a informação em uma nova publicação. “Corrigindo: Abraham possui mestrado em Administração na área de Finanças pela FGV e MBA Executivo Internacional pelo OneMBA, com título reconhecido pelas escolas: FGV/Brasil, RSM/Holanda, UNC/Estados Unidos, CUHK/China e EGADE-ITESM/México”, escreveu o presidente.
A plataforma Lattes também indica que o economista tem apenas mestrado, finalizado em 2013 na FGV. O site da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), onde está licenciado, também informa que Abraham é apenas mestre.
Na carreira profissional, segundo o currículo oficial, foi diretor estatutário do Banco Votorantim, CEO da Votorantim Corretora no Brasil e da Votorantim Securities nos Estados Unidos e na Inglaterra.
No primeiro anúncio sobre a troca de comando no MEC, Bolsonaro também agradeceu o antigo titular da pasta. “Aproveito para agradecer ao professor Vélez pelos serviços prestados”, escreveu no Twitter.
Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub era secretário-executivo da Casa Civil.
Economista e professor da Unifesp, Weintraub participou das conversas sobre a reforma da Previdência. No domingo (7), Weintraub esteve com Bolsonaro no Palácio do Alvorada. O nome de Weintraub, contudo, não estava entre os cotados que circulavam nos bastidores.
A saída de Vélez era ensaiada havia algumas semanas por causa da crise permanente na pasta, expondo uma disputa entre militares e seguidores do escritor Olavo de Carvalho. Na sexta (5), Bolsonaro indicou a jornalistas que resolveria a questão nesta segunda.
O novo ministro da Educação tem proximidade com Olavo de Carvalho. O presidente escolheu um nome afinado ideologicamente com Olavo, mas sem vinculação direta com os grupos que disputam espaço.
A lógica, segundo auxiliares do governo, foi evitar mais briga entre olavistas e militares. Em encontro realizado no ano passado, a Cúpula Conservadora das Américas, Weintraub elogiou Olavo e disse que a adaptação das ideias do escritor deveria ser uma estratégia para combater a esquerda.
Abraham é irmão de Arthur Weintraub, que também integra o governo, como assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República.
APROXIMAÇÃO COM BOLSONARO
A aproximação de Abraham com Bolsonaro se deu por conta do ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni (DEM), segundo relatou seu irmão, Arthur Bragança, em uma reunião no departamento do curso de Ciências Atuariais da Unifesp, registrada em ata.
Arthur contou que foi convidado para organizar o Seminário Internacional sobre a Reforma da Previdência em 2018 no Congresso Nacional e que, depois disso, foi procurado por deputados e senadores, entre ele Onyx, “dizendo que havia outros deputados interessados em seu trabalho, dentre aqueles, o deputado Jair Bolsonaro”, relatou.
A primeira reação, disse, foi negar qualquer aproximação, por “considerar esse deputado com um pensamento radical”. “O deputado Onyx sugeriu que ele fosse se informar melhor porque a mídia brasileira distorcia as informações. Dessa maneira, ao melhor se informar, seu irmão Abraham e ele se deram conta que essa conduta radical seria mentira”, registra a ata.
A partir daí, os irmãos “começaram a dar apoio científico e não político a esse candidato.” Segundo Arthur, o apoio ensejou críticas dos centros acadêmicos dos cursos de relações internacionais e economia. Os irmãos passaram a responder processos administrativos por responder as ofensas dos alunos publicadas em páginas no Facebook, segundo a ata da reunião.
POLÊMICAS DE VÉLEZ
Anunciado no dia 22 de novembro, Vélez Rodriguez foi uma das últimas definições para a Esplanada dos Ministérios. A publicação no Twitter do então presidente eleito tirou o professor colombiano radicado no Brasil desde a década de 1970 de um considerável anonimato. Até dias antes, o próprio Vélez Rodríguez jamais havia pensado que um dia seria ministro da Educação.
Vélez chegou à equipe de Bolsonaro por indicação do escritor Olavo, guru e ideólogo direitista, patrocinada pelos filhos do presidente.
Professor de filosofia, identificado com o conservadorismo, antipetismo e a luta contra o marxismo cultural, Vélez fez carreira discreta na própria instituição onde atuou por quase 30 anos, a Universidade Federal de Juiz de Fora.
Sem ter se dedicado aos debates sobre políticas públicas e educação, montou uma equipe a partir da indicação de vários grupos, o que depois resultou em um mosaico de interesses e disputas.
Passaram a compor a pasta profissionais ligados aos militares, ex-alunos de Vélez, técnicos do Centro Paula Souza, de São Paulo, e discípulos de Olavo. Ironicamente, atritos com ex-alunos de Olavo provocariam o desgaste mais prolongado de Vélez.
A disputa também atrasou definição de políticas importantes para as redes de ensino, como a continuidade do apoio à implementação da Base Nacional Comum Curricular —programa retomado somente no dia 4 de abril.
Nesses três meses, dúvidas com relação às avaliações federais e sobre a definição do programa de livros didáticos, por exemplo, causaram incômodo com os secretários de educação de estados e municípios.
Recentes problemas que alunos enfrentaram para a renovação do Fies (Financiamento Estudantil) ainda atingiram estudantes. A única meta para os 100 dias do MEC foi a apresentação de uma nova política de Alfabetização. Minuta do decreto indica a predominância de apenas um método de ensino, o fônico, e condiciona o recebimento de assistência técnica e financeira à adoção dessa política.
Quando veio à tona, foi criticada. O MEC promete publicar versão final, que já está na Casa Civil, nesta semana. (Folha de S.Paulo)

