21/09/2016 – 14h13
Em seu Livro ” O Teatro do Oprimido” Augusto Boal estabelece uma hierarquia entre artes, artes menores e artes maiores, assim a Arte de Pintura seria uma arte maior em relação a Arte da Tintura e por aí vai, concluindo que, em sendo assim, existiria uma arte que seria a maior de todas, e que essa é a Arte da Política.
A concordar com Boal, Michel Temer tem uma tarefa inglória pela frente, dada a crise generalizada que nos encontramos: tirar a nossa política do museu dos horrores que se encontra, considerando os palcos em que ela acontece, a saber, as ruas, de um lado e os três poderes constituídos da República de outro.
Em 2014 as ruas estavam divididas em “nós e eles”, meio a meio, evoluindo, dadas as mentiras eleitorais, rapidamente para o “fora Dilma” com o “eles” absorvendo parte considerável do “nós”, levando o Congresso a ouvir o apelo majoritário das ruas, estas, no entanto, tendem a refluir, a ver.
Esse fato, como vimos, não traduziu em apoio automático dos antigos eleitores da chapa ao, agora, Presidente Temer, pelo contrário perdeu os “ideológicos” do “fica Dilma”, e sem conquistar os votos do adversário, sobrou-lhe, talvez, o apoio dos que migraram de um lado a outro, uns quatorze por cento, talvez. É muito pouco, mas é o que ele tem nesse campo, vai ter que se virar com os outros contendores, para virar o jogo.
Com o paradigma da Lava Jato, começando a gerar filhotes e influenciando o PGR e o STF, beneficiado também pela posse de sua nova presidente, a ministra Carmen Lúcia, se apresenta ainda como o imponderável, mas, com a perspectiva da condenação de Lula, a tragédia tende a se encaminhar, acredito eu, para a catarse com o sistema judicial caminhando célere para o novo normal, ponto para Temer, que é um constitucionalista.
Resta assim o embate para constituir a nova maioria congressual, a se consolidar no renovado (?) presidencialismo de coalisão ou cooptação como preferem alguns, é nesse campo que os grandes interesses se afloram, os legítimos e os espúrios, não são poucos os conflitos, as reformas fiscal, previdenciária, trabalhistas e sobretudo a reforma política.
O baile está apenas começando e vai longe, muito além de 2018, o tempo corre contra Temer e falta-lhe a sedução de FHC sua, seria sua habilidade política suficiente para fazer valer a tese de Augusto Boal?
Cesar de Oliveira Lutti, arquiteto.

