25/10/2016 – 10h39
Quem convive com a prefeita eleita Délia Razuk garante que ela está até se divertindo com o ecletismo das listas com nomes de seus prováveis secretários que surgem a todo instante nas coluninhas de fofocas políticas e, principalmente, na famigerada rádio peão. Mas, pelo tanto de gente atirando a torto e a direito ela deveria é estar preocupada, principalmente com aqueles que extrapolam o lobby convencional dessas ocasiões para forçar a barra, alguns até já se posicionando como secretários em articulações internas e externas, outros até já montando suas equipes de trabalho.
Essa moagem toda chama a atenção e causa certa expectativa porque é a partir do anúncio de seu estafe que se poderá fazer uma primeira projeção do que deverá ser a administração Délia Razuk. E ela já deu uma primeira pista, ao prestigiar um de seus mais antigos e fiéis colaboradores, o radialista Albino Mendes, como o comandante de seu time na equipe de transição. Além, claro, de Raufi Marques, muito mais que articulador político, provavelmente seu secretário de governo, uma espécie de anjo da guarda desde o momento em que aceitou comandar sua campanha eleitoral. Até aqui, como diria o lendário Laquicho, Délia Razuk vai bem.
A propósito do drama, que, na realidade, deve estar vivendo a prefeita eleita, principalmente diante da natural expectativa dos chefes partidários que compuseram a aliança vitoriosa, seria interessante, antes de com eles se sentar à mesa de negociações, que Délia refletisse sobre algumas situações que determinaram sucessos e derrocadas de alguns de seus antecessores.
Primeiro, o agora aliado José Elias Moreira, o pioneiro na montagem de um secretariado, propriamente dito, pois que antes dele a prefeitura nem dispunha de uma estrutura organizacional para tal. E ele só passou à história como o maior administrador que Dourados já teve porque começou por escolher bem sua equipe de assessores, peitando companheiros históricos como Negrinho Martins e seu vice-prefeito José Cerveira para escolher um time eminentemente técnico e competente, a maioria, inclusive, trazida de fora.
Outro aliado de momento, Braz Melo. Na primeira administração, também contrariando companheiros de campanha, escolhendo um time de primeira conseguiu terminar o mandato tão bem avaliado que, a exemplo de Zé Elias, estava credenciado, como um dos prefeitos mais populares da história, a disputar o governo do Estado. No segundo mandato, quando optou pelos “da cozinha”, indicados por amigos e familiares, foi um fiasco total, caindo no ostracismo para, só agora, ressurgir como vereador.
Menos mal, aliás, falando em vereador, que Délia Razuk vai subir a rampa da prefeitura somando oito anos de convivência no Jaguaribe, com a cabeça erguida por ser a única que escapou do furacão uragânico, depois de devolver uma pacoteira cheia de garoupas enviada como presente de Natal por Valdecir Artuzi, e, como tal, sabendo muito bem como funciona o toma-lá-dá-cá entre seus pares. Assim, antes de tudo, precisa ser forte, para não escolher, por exemplo, um secretário de governo que entre nessa ciranda, um de fazenda que não compre carne de pescoço pagando o preço de filé mignon, um de obras que se limite a fazer a medição para os retornos das controvertidas emendas parlamentares e, como cristã que é, nenhum herege na saúde para se mancomunar o “evangélicos” da vida no repasse de mensalinho para vereadores.
Depois de tanta prosperidade da era Murilo, melhor até que seja um secretariado para fazer o feijão-com-arroz, mais com a marca da simplicidade da trajetória de vida de Délia Razuk. Até porque, como os tempos são outros, não mais aqueles do dinheiro fácil em que Zé Elias e Braz Melo se esbaldaram, melhor não se preocupar com esse negócio de querer quebrar paradigmas, até para não correr o risco de quebrar a cara antes da hora.
←TEXTO ANTERIOR ou PÁGINA INICIAL→

