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Nova fase da Lava-Jato mira lobista já preso e advogado acusados de lavagem sofisticada

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10/11/2016 – 07h48

Adir Assad está preso na carceragem da PF em Curitiba; no total, são 18 ordens judicias em São Paulo, Paraná e Ceará

SÃO PAULO E RIO – A Polícia Federal realiza a 36ª fase da Operação Lava-Jato nesta quinta-feira, intitulada Operação Dragão, com dois novos mandados de prisão, um deles para o empresário e lobista Adir Assad, que já está detido na carceragem da PF, em Curitiba. Policiais cumprem 18 ordens judicias, sendo 16 mandados de busca e apreensão e e 2 mandados de prisão preventiva, quando não há prazo para terminar, nos estados de São Paulo, Paraná e Ceará.

O empresário e lobista Adir Assad, que já está preso na carceragem da PF, em Curitiba, teve um novo mandado de prisão expedido. Ao contrário da prisão temporária, que vence em cinco dias, a prisão preventiva não tem prazo determinado para que o investigado deixe a prisão. O outro alvo da ação da PF é o advogado Rodrigo Taclan Duran, suspeito de usar offshores para pagar propina.

A partir das investigações, diz o Ministério Público Federal, foram encontradas diversas evidências de que os operadores usaram mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro, como uso de contas bancárias em nome de offshores no exterior, a interposição de empresas de fachada e a celebração de contratos falsos.

Tacla Duran, aponta a Força-Tarefa da Lava-Jato, foi responsável por lavar “dezenas de milhões de reais” por intermédio de pessoas jurídicas por ele controladas. Diversos envolvidos no caso valeram-se dessas empresas a fim de gerar recursos para realizar pagamentos de propina, como a UTC Engenharia e a Mendes Júnior Trading Engenharia, que repassaram, respectivamente, R$ 9,1 milhões e R$ 25,5 milhões ao operador financeiro entre 2011 e 2013. No mesmo período, outras empresas contratadas pela administração pública também realizaram depósitos de mais de R$ 18 milhões com o mesmo destino.

As investigações também comprovaram que Adir Assad, por meio de transferências de contas mantidas por suas empresas em território nacional, repassou R$ 24,3 milhões para Rodrigo Tacla Duran. No mesmo sentido, empresas ligadas a outro operador, Ivan Orefice Carratu, pessoa ligada a Duran, receberam de Adir Assad a quantia de R$ 2, 9 milhões.

VELHO CONHECIDO

Assad é investigado em diversas operações contra corrupção e já tinha sido alvo de três mandados de prisão em pouco mais de um ano: Lava Jato, no Paraná, Saqueador, no Rio, e Pripyat, um dos desdobramento da Lava Jato no estado fluminense.

Alvo da “Operação Saqueador” do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, o empresário Adir Assad foi condenado em setembro de 2015 pelo juiz Sérgio Moro, no âmbito da Operação Lava-Jato, por ser um dos operadores de propina do esquema de desvio de dinheiro na Petrobras. Assad foi condenado a nove anos e dez meses de prisão por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Antes, ele havia sido preso na 10ª fase da Operação Lava-Jato, em março do ano passado, mas, em dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu a ele prisão domiciliar.

Também foram condenados na mesma ação de Assad em Curitiba o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, o ex-gerente de Serviços Pedro Barusco e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. O Ministério Público apontou que Assad usou diversas empresas de fachada entre 2009 e 2012 para intermediar pagamento de R$ 40 milhões desviados da Petrobras para Duque e Barusco.

OPERADORES FINANCEIROS

Por nota, a PF diz que nesta fase são investigados dois importantes operadores financeiros responsáveis pela movimentação de recursos de origem ilegal, principalmente oriundos de relações criminosas entre empreiteiras e empresas sediadas no Brasil com executivos e funcionários da Petrobras.

São apuradas as práticas de corrupção, manutenção não declarada de valores no exterior e lavagem de dinheiro, além de outros crimes.

O nome “Dragão” dado à investigação policial é uma referência aos registros na contabilidade de um dos investigados que chamava de “operação dragão” os negócios fechados com parte do grupo criminoso para disponibilizar recursos ilegais no Brasil a partir de pagamentos realizados no exterior.

Presos da Operação Saqueador, Adir Assad é transferido para Bangu 8 - Pablo Jacob / Agência O Globo

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