26/11/2016 – 15h46
Presidente americano ressalta reaproximação diplomática com Cuba
WASHINGTON – Numa referência à célebre frase de Fidel Castro que dizia que a História o absolveria, o presidente americano, Barack Obama, disse que a História julgará o impacto do ex-líder cubano no país e no mundo. Num comunicado, ele prestou condolências à família Castro e ressaltou o fato de que os países realizaram avanços significativos na relação após décadas de tensões.
“Neste momento da morte de Fidel Castro, estendemos a mão ao povo cubano. A História recordará e julgará o enorme impacto desta figura singular no povo e no mundo a seu redor”, escreveu o chefe de Estado. Segundo Obama, durante sua Presidência, trabalhou-se para “deixar para trás o passado”, construindo um futuro em cima do que os países têm em comum.
Depois de um histórico anúncio em dezembro de 2014, os Estados Unidos restauraram formalmente os laços diplomáticos com Cuba em julho de 2015 e reabriram sua embaixada em Havana um mês depois, em uma reaproximação que pôs fim a mais de meio século de uma inimizade desde a Guerra Fria. Em março deste ano, Obama fez uma visita a Cuba para marcar a consolidação do degelo.
A informação da morte de Fidel foi confirmada pelo seu irmão, o presidente Raúl Castro, em pronunciamento na TV estatal na madrugada deste sábado.
O ex-líder governou a ilha caribenha por quase meio século antes de entregar os poderes a Raúl, em 2008. Em um comunicado, o governo declarou nove dias de luto nacional e programou uma semana de homenagens.
A notícia da morte de Fidel, apesar de seu frágil estado de saúde, pegou de surpresa os cubanos e repercute no mundo através de mensagens de condolências de vários dirigentes e líderes mundiais. De segunda a terça-feira, os cubanos poderão se despedir de Fidel na Praça da Revolução, em Havana, onde haverá um grande ato.
Único nome ainda vivo dos grandes protagonistas da Guerra Fria, Fidel encarnou o símbolo do desafio a Washington: o guerrilheiro de barba e uniforme verde oliva, que fez uma revolução socialista, marxista-leninista, a apenas 150 km do litoral dos Estados Unidos.
Ele foi visto publicamente pela última vez em 15 de novembro, quando recebeu o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang. Em agosto, a festa de aniversário de 90 anos de Fidel Castro reuniu mais de 100 mil pessoas na capital cubana. Aposentado há 10 anos, o ex-líder era praticamente inacessível. Só recebia visitas esporádicas de personalidades em sua casa em Havana.

