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sexta-feira, julho 31, 2026

Conhecendo a região parisiense pelo teleférico

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Julho e agosto são meses de férias escolares na França e em grande parte da Europa. Em Paris, decidi que era a hora de conhecer o primeiro teleférico da região da Île-de-France, cuja capital é Paris. Inaugurado no final do ano passado, o Câble C1, como é chamado, ainda é pouco conhecido pelos turistas.

Ele liga a estação de metrô da Linha 8, Créteil–Pointe du Lac, à estação Villa Nova. O projeto não nasceu com objetivo turístico, mas sim para melhorar a mobilidade entre bairros que eram mal atendidos por metrô e trem devido à presença de rodovias, linhas ferroviárias e desníveis do terreno.

A postos! Na saída do metrô, a entrada do teleférico está logo ao lado. A primeira pergunta que vem à cabeça: será que ele balança muito? O dia está tranquilo, sem vento. São quase 16 horas e há poucas pessoas, afinal é período de férias para estudantes e muitos trabalhadores.

Tudo é muito novo. Cada cabine comporta 10 passageiros. Cadeiras de rodas, carrinhos de bebê e bicicletas também são aceitos.

Na cabine em que entro, somos apenas quatro passageiros. E todos são… turistas! O quarto passageiro é um jornalista de uma rádio da República Tcheca.

A cabine sobe suavemente pelos cabos sustentados por pilares que chegam a 55 metros de altura, permitindo que, em alguns trechos, ela fique entre 30 e 40 metros acima do solo. A vista é surpreendente: áreas verdes, rodovias, ferrovias, áreas industriais… tudo parece pequeno visto de cima. O céu aberto e o dia ensolarado permitem uma visão ampla da região.

A primeira parada é Limeil-Brévannes – Plage Bleue, seguida por Valenton – Le Château, La Végétale – La Fontaine Saint-Martin e, finalmente, Villa Nova. O trajeto atende quatro municípios ao longo de 4,5 quilômetros.

O ambiente dentro da cabine é agradável. O senhor sentado ao meu lado esquerdo tem um sorriso de satisfação no rosto. Ele veio especialmente para experimentar a sensação de se transportar pelo teleférico. Eu me lembro do bonde do Rio de Janeiro, mas com uma estabilidade muito maior.

O jornalista tcheco pede para nos entrevistar. Falamos sobre a nossa sensação de poder observar a região e os arredores de Paris dessa maneira. Um sistema elétrico, praticamente silencioso, enquanto pássaros cruzam o caminho entre uma cabine e outra.

Se naquele horário e durante o período de férias o movimento é pequeno, a capacidade do teleférico é de aproximadamente 1.600 passageiros por hora em cada sentido, podendo ser ampliada futuramente.

A região ao sul de Créteil possui diversos obstáculos urbanos. O teleférico evitou a necessidade de construir novas pontes ou túneis, obras muito mais caras e demoradas. Ele consegue atravessar essas barreiras praticamente em linha reta, reduzindo significativamente o tempo de deslocamento.

Dezoito minutos depois, chegamos a Villa Nova, ponto final da linha.

Por enquanto, o projeto não foi pensado como atração turística, embora já atraia visitantes — encontrei inclusive alguns turistas chineses. A região, porém, possui um importante potencial de turismo verde.

O Parc de la Plage Bleue, próximo à estação Limeil-Brévannes, é um dos parques mais agradáveis da região, com lago, áreas verdes, playgrounds, ciclovias e espaços para observação de aves.

A estação La Végétale – La Fontaine Saint-Martin fica junto a um corredor verde utilizado para caminhadas e ciclismo.

Já a estação Villa Nova, em Villeneuve-Saint-Georges, permite acesso às margens do rio Sena, enquanto a estação Valenton – Le Château leva ao Château de Valenton, um castelo histórico, além de passeios tranquilos pelo entorno.

Não se trata da Torre Eiffel ou de Montmartre, mas é uma excelente maneira de descobrir uma parte menos explorada da região metropolitana de Paris, com vistas panorâmicas, áreas verdes e uma experiência diferente de mobilidade urbana.

Mazé Torquato Chotil – Jornalista e autora. Doutora (Paris VIII) e pós-doutora (EHESS), nasceu em Glória de Dourados-MS, morou em Osasco-SP antes de chegar em Paris em 1985. Agora vive entre Paris, São Paulo e o Mato Grosso do Sul. Tem 14 livros publicados (cinco em francês). Fazem parte deles: Na sombra do ipê e No Crepúsculo da vida (Patuá); Lembranças do sítio / Mon enfance dans le Mato Grosso; Lembranças da vila; Nascentes vivas para os povos Guarani, Kaiowá e Terenas; Maria d’Apparecida negroluminosa voz; e Na rota de traficantes de obras de arte.
Em Paris, trabalha na divulgação da cultura brasileira, sobretudo a literária. Foi editora da 00h00 (catálogo lusófono) e é fundadora da UEELP – União Européia de escritores de língua Portuguesa. Escreveu – e escreve – para a imprensa brasileira e sites europeus.

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