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domingo, setembro 13, 2026

Riedel vence em todas as pesquisas, mas o instituto decide qual oposição existe — e se haverá segundo turno

Levantamentos realizados praticamente nos mesmos dias confirmam o favoritismo do governador, mas apresentam diferenças de até 15,7 pontos e desenham três disputas inteiramente distintas em Mato Grosso do Sul

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Valfrido Silva

O eleitor de Mato Grosso do Sul parece ter participado de três eleições diferentes na mesma semana. Em todas elas, Eduardo Riedel vence com folga. Dependendo do instituto escolhido, porém, o governador aparece com 42%, 48% ou 57,70% das intenções de voto. Na primeira fotografia, ainda existe segundo turno e uma oposição com tamanho suficiente para continuar respirando. Na última, a eleição acaba em 4 de outubro e os adversários de Riedel cabem quase todos na margem destinada aos figurantes. O favoritismo do governador é o único ponto sobre o qual as pesquisas concordam. A força de seus concorrentes — e até a existência de uma nova rodada — fica por conta de quem segura a prancheta.

O levantamento mais recente, divulgado neste sábado pelo IPEMS, coloca Riedel com 57,70% na pesquisa estimulada, mais de quatro vezes o porcentual de Fábio Trad, segundo colocado com 11,59%. Delcídio do Amaral aparece com 5,67% e João Henrique Catan, com 5,06%. Foram entrevistados 800 eleitores em 27 municípios, entre 5 e 9 de setembro, com margem de erro de 3,46 pontos e nível de confiança de 95%. Registrada sob o número MS-01238/2026, a pesquisa do IPEMS oferece ao governador exatamente a fotografia que toda campanha governista gostaria de pendurar na sala: vitória antecipada, oposição pulverizada e nenhuma necessidade aparente de reservar combustível para o segundo turno.

O problema é que, praticamente nos mesmos dias, dois outros institutos encontraram um Estado bastante diferente. O Ranking Brasil Inteligência, ouvindo 2 mil pessoas entre 4 e 9 de setembro, apontou Riedel com 48%, Fábio com 20,1%, Delcídio com 10% e Catan com 4,2%. Já a Real Time Big Data, depois de consultar 1.600 eleitores entre 5 e 9 de setembro, encontrou Riedel com 42%, Fábio com 26%, Catan com 13% e Delcídio com 5%. Não estamos falando de pequenas oscilações que possam ser acomodadas confortavelmente dentro das margens de erro. Entre o IPEMS e a Real Time, Riedel varia 15,7 pontos; Fábio, mais de 14; e Catan, quase oito.

Isso não autoriza acusar nenhum instituto de manipulação. Pesquisas podem usar formas diferentes de abordagem, distribuição geográfica, ponderação, ordem de apresentação dos candidatos e composição da amostra. São retratos, não escrituras lavradas em cartório. Mas, quando três retratistas trabalham praticamente no mesmo período e devolvem paisagens tão diferentes, torna-se obrigação jornalística perguntar onde foram colocados o tripé, a lente e a iluminação. Quantos entrevistados foram ouvidos em Campo Grande, Dourados e nas demais regiões? Qual foi o peso atribuído à capital e ao interior? As entrevistas foram presenciais, telefônicas ou combinadas? Como renda, escolaridade, sexo e idade foram ponderados? A simples inscrição de um número no sistema da Justiça Eleitoral não elimina essas perguntas.

Politicamente, cada campanha escolherá naturalmente a pesquisa que melhor lhe serve. Riedel poderá erguer o IPEMS como prova de que a eleição está resolvida. Fábio encontrará na Real Time uma oposição de 26%, mais que o dobro dos 11,59% apontados pelo IPEMS. Aliás, o petista usando muito bem esses números em seu programa eleitoral no rádio e na TV. Catan tem motivo ainda maior para preferir uma prancheta específica: aparece com 13% na Real Time, mas desaba para perto de 5% nas outras duas. Até Delcídio muda de dimensão, oscilando entre os 10% do Ranking e os 5% da Real Time. Não muda apenas o tamanho dos candidatos. Muda a própria história que cada pesquisa conta sobre a eleição.

A três semanas do pleito, a conclusão segura é que Riedel lidera e permanece favorito. Todo o resto exige lupa, metodologia aberta e menos foguetório. No dia 4 de outubro, a urna escolherá o governador de Mato Grosso do Sul. Até lá, pelo visto, os institutos continuarão escolhendo qual oposição existe — e se ela terá direito a um segundo turno.

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