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quarta-feira, setembro 30, 2026

Datafolha: Indecisos ainda podem virar de cabeça pra baixo a eleição para o Congresso Nacional

Com 59% dos brasileiros sem os dois votos definidos para o Senado e 57% ainda procurando deputados, favoritos entram na última curva cercados por eleitores que sequer escolheram em quem votar

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Valfrido Silva

As pesquisas eleitorais de Mato Grosso do Sul passaram as últimas semanas distribuindo cadeiras que ainda pertencem ao marceneiro. Reinaldo Azambuja, Capitão Contar, Rose Modesto, Mara Caseiro, Rodolfo Nogueira e outros candidatos aparecem nas primeiras posições, enquanto analistas — nós incluídos — tentam desenhar as futuras bancadas do Estado. Um levantamento nacional do Datafolha divulgado nesta quarta-feira, porém, recomenda recolher temporariamente a trena: 59% dos brasileiros ainda não definiram os dois votos para o Senado e 57% não escolheram seus candidatos a deputado federal e estadual. A urna será aberta no próximo domingo, mas uma multidão ainda nem decidiu o que pretende colocar dentro dela.

O Datafolha ouviu eleitores de todo o Brasil, portanto seus percentuais não podem ser transferidos mecanicamente para Mato Grosso do Sul. Servem, entretanto, como enorme placa de advertência diante das projeções locais. A pesquisa espontânea mais recente do Ranking encontrou 20,7% de indecisos para o Senado no Estado, além de 21% inclinados ao voto branco ou nulo. Para deputado federal, 21,1% não souberam responder e 20% declararam branco ou nulo. Na disputa pela Assembleia, os dois grupos somaram pouco mais de 40%. As metodologias e perguntas são diferentes, mas todas apontam na mesma direção: há enorme número de eleitores soltos para candidato demais comemorando.

O caso do Senado é ainda mais explosivo porque cada eleitor possui dois votos. A Quaest colocou Contar com 23%, Azambuja com 22%, Soraya Thronicke com 10% e Vander Loubet com 8%. A fotografia favorece os dois candidatos do PL, mas a segunda escolha permanece como terreno fértil para a zebra. Muita gente sabe em quem dará o primeiro voto e chega à cabine ainda carregando o segundo no bolso. É justamente nesse espaço que Soraya tenta repetir 2018, Vander aguarda os “santinhos” de Lula e os dois líderes disputam não apenas a preferência do eleitor, mas a ordem em que seus números serão digitados.

Nas eleições proporcionais, a névoa é ainda mais espessa. Os candidatos mais lembrados espontaneamente para deputado federal aparecem com percentuais de um dígito: Rose Modesto tem 4,2%, Mara Caseiro, 4%, Rodolfo Nogueira, 3,2%, e Pollon, 3%. Na Assembleia, até os líderes das chapas caminham em torno de 2%. Isso não significa que todos estejam empatados ou que experiência, estrutura partidária, dinheiro e bases municipais tenham perdido importância. Significa apenas que o voto proporcional continua sendo o último da fila na cabeça do eleitor, embora seja os primeiros que ele precisará digitar na urna.

É aí que a campanha entra em sua fase menos romântica. Os próximos dias serão ocupados pela busca frenética dos esquecidos, pela cobrança dos cabos eleitorais, pela distribuição de santinhos, pelas dobradinhas municipais e pela tentativa de transformar apoio a governador ou senador em voto para deputado. Quem possui estrutura tentará localizar o eleitor que ainda não escolheu ninguém. Quem possui apenas entusiasmo recorrerá aos amigos — inclusive àqueles que juram voto a três, quatro, candidatos diferentes.

O Datafolha também mostra que a indefinição é maior entre jovens e eleitores de menor renda. Para o Senado, chega a 75% entre aqueles de 16 a 24 anos e a 66% entre quem recebe até dois salários mínimos. São justamente segmentos mais difíceis de alcançar pela política tradicional e mais expostos à decisão tardia, ao vídeo da última hora e ao pedido de alguém próximo. A eleição que parece organizada nas planilhas pode ser desmontada no telefone celular enquanto o eleitor espera sua vez na fila.

Os favoritos continuam favoritos. Mas ainda não são eleitos. A pesquisa mede a lembrança acumulada até aqui; a urna contará também o esquecimento resolvido no último minuto. Em Mato Grosso do Sul, onde duas vagas ao Senado, oito cadeiras na Câmara e 24 na Assembleia estão em disputa, 57% de indecisão nacional não constituem detalhe estatístico. Representam um aviso aos alfaiates: ainda não cortem a barra do terno. E às farmácias: mantenham o estoque de Rivotril.

contrapontoMS, em colaboração humano–IA, sob revisão e edição final do autor.

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