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quinta-feira, outubro 1, 2026

PL dá quatro vezes mais a Contar, enquanto Azambuja se agarra à garupa de Riedel

Diferença no fundão pode ajudar a explicar a ultrapassagem nas pesquisas, mas ex-governador compensa a conta com prefeitos, estrutura e o amplo palanque governista

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Valfrido Silva

Capitão Contar e Reinaldo Azambuja disputam as duas vagas ao Senado pelo mesmo partido, aparecem juntos na propaganda e pedem votos para o mesmo candidato a presidente. Mas, quando o PL abriu o cofre do fundo eleitoral, descobriu-se que alguns companheiros são mais companheiros que os outros. Contar recebeu R$ 2 milhões da direção partidária. Reinaldo ficou com R$ 500 mil — exatamente a quarta parte. A diferença ajuda a compreender por que o capitão, que entrou na campanha como uma espécie de segundo nome da chapa, ganhou musculatura, ultrapassou o ex-governador na Quaest e passou a ameaçar até a ordem hierárquica imaginada pelos comandantes do palanque governista.

O levantamento publicado pelo UOL mostra que Reinaldo está entre os candidatos ao Senado menos contemplados pelo PL em todo o país. Enquanto André do Prado, em São Paulo, recebeu R$ 6,9 milhões; Domingos Sávio, em Minas Gerais, R$ 5,4 milhões; e Carlos Jordy e Carlos Portinho, no Rio de Janeiro, R$ 5,25 milhões cada um, o ex-governador de Mato Grosso do Sul aparece perto do fim da fila com seus R$ 500 mil. Até Michelle Bolsonaro recebeu R$ 3,8 milhões. Em termos de preferência financeira da direção nacional, Reinaldo ficou mais perto do Coronel Rocha, de Sergipe, que recebeu R$ 250 mil, do que do próprio companheiro de chapa em Mato Grosso do Sul.

A direção do PL afirma que distribui os recursos com base em critérios políticos, potencial eleitoral, pesquisas e prioridades regionais. Se é assim, a diferença de quatro para um deixa de ser apenas contabilidade e passa a funcionar também como mensagem. Contar possui identidade bolsonarista mais nítida, carrega menos ambiguidades no relacionamento com a família Bolsonaro e fala diretamente ao eleitor que deseja mandar ao Senado uma tropa disposta a enfrentar o Supremo. Reinaldo chegou depois ao partido, trazendo consigo uma estrutura política poderosa, mas também a marca de um pragmatismo que já o levou a conviver com diferentes governos, partidos e circunstâncias.

Isso não significa que o ex-governador esteja condenado a fazer campanha apenas com os R$ 500 mil recebidos do fundão. A legislação permite recursos próprios, doações de pessoas físicas e verbas do Fundo Partidário, desde que declarados e respeitados os limites legais. Reinaldo também dispõe de um patrimônio político que não aparece integralmente na prestação de contas: prefeitos, vereadores, lideranças municipais, antigos auxiliares, relações construídas durante oito anos de governo e uma presença consolidada nos municípios. Dinheiro ajuda a mover campanha; capilaridade também.

O que faz a diferença, sobretudo, é Eduardo Riedel. Reinaldo não abre mão da garupa do governador, embora precise dividi-la com Contar. Em praticamente toda aparição importante, tenta colar sua candidatura à de Riedel, cuja liderança nas pesquisas e aprovação administrativa funcionam como aval eleitoral. A lógica é simples: se o eleitor reconhece continuidade entre os dois governos, a gratidão ou confiança depositada em Riedel pode escorrer até a candidatura de seu antecessor ao Senado. O problema é que essa transferência não é automática — e o mesmo palanque também apresenta Contar como opção.

Formaram-se, portanto, duas campanhas movidas por combustíveis diferentes. Contar recebeu mais dinheiro do PL e possui a preferência natural do bolsonarismo raiz. Reinaldo recebeu menos do partido, mas viaja num comboio abastecido por alianças municipais e pela força política do governador. Um tenta nacionalizar a eleição, falando em Bolsonaro, STF e enfrentamento. O outro procura estadualizá-la, lembrando obras, administrações e a continuidade representada por Riedel.

A diferença talvez já esteja aparecendo nas pesquisas. A Quaest colocou Contar com 23% e Reinaldo com 22%, tecnicamente empatados, mas com o capitão numericamente à frente. Outros levantamentos ainda mostram Azambuja na liderança, sinal de que a disputa permanece aberta e sensível ao método utilizado. O que não se pode mais sustentar é a antiga imagem de uma chapa com titular e reserva. Contar deixou de disputar apenas a segunda vaga e passou a medir forças diretamente com o ex-governador.

Nas últimas horas de campanha, o dinheiro adicional permite impulsionar propaganda, ampliar mobilização e alcançar o eleitor que ainda nem decidiu seu segundo voto. A estrutura de Reinaldo, por outro lado, entra justamente agora em sua fase mais importante, quando prefeitos, vereadores e coordenadores precisam converter fotografias de palanque em números digitados na urna.

No domingo, Mato Grosso do Sul descobrirá qual combustível rende mais: os R$ 2 milhões do PL, acompanhados da bênção bolsonarista, ou os R$ 500 mil de Reinaldo reforçados pela garupa de Riedel. O ex-governador ainda pode chegar primeiro. Mas, se o capitão vencer essa corrida interna, ninguém poderá dizer que o partido não alimentou melhor o cavalo em que resolveu apostar.

(*) Jornalista e editor do contrapontoMS, em colaboração humano–IA, sob revisão e edição final do autor.

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