16.8 C
Dourados
sexta-feira, junho 12, 2026

Tendência de política conservadora mundial pode se manter em 2019

- Publicidade -

17/12/2018 – 14h38

Os cenários podem se repetir em eleições como a do Parlamento europeu

Primeiro, vieram o Brexit e a eleição de Donald Trump. Depois, em 2018, a vitória dos populistas e nacionalistas na Itália e de Jair Bolsonaro no Brasil. Em 2019, os cenários podem se repetir em eleições como a do Parlamento europeu.

A democracia liberal não vive um bom momento. “Cada vez mais cidadãos se afastam” dela, afirma em seu último best-seller “O povo contra a democracia” o jovem cientista político americano Yascha Mounk.

Este sistema, que conjuga soberania popular e contra-poderes (Justiça, imprensa, sociedade civil), é o modelo dominante nos países ocidentais desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Mas, atualmente, este “sistema de governo que parecia imutável dá impressão de que pode despencar a qualquer momento”, resume Mounk.

A principal causa: as classes médias, base demográfica e política, que esses países deixaram desatendida. “Construir uma classe média contribui para a estabilidade política”, aponta a americana Kori Schake, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), em um estudo recente do Lowy Institute sobre a “sobrevivência da ordem liberal”.

Soberania popular

Empobrecido por uma economia cada vez mais terceirizada, as classes médias se rebelam contra sua decadência, ou até seu desaparecimento econômico, político e cultural, acredita o geógrafo francês Christophe Guilluy em seu livro “No society”.

O presidente francês Emmanuel Macron pode corroborar. Uma parte significativa da população francesa, trajando coletes amarelos, protesta há cerca de um mês na França. A situação pode se tornar rapidamente insustentável para o governo, insistiu.

Uma das exigências desses cidadãos rebeldes é recuperar uma soberania popular que acreditam ter perdido. Assim, apenas 8% dos franceses estimam que os cidadãos têm o poder, contra 54% que acreditam que está nas mãos dos mercados financeiros, segundo pesquisa Ifop de outubro.

O slogan do Brexit “Take back control” (Retomar o controle) é um sinal disso.

‘Liberalismo antidemocrático’

A soberania popular é progressivamente reduzida, estima Patrick Moreau, editor-chefe da revista canadense Argument, em uma coluna no jornal Le Devoir. Os culpados são, segundo ele, as regras do comércio internacional e a importância conquistada pelas “minorias”.

As regras “nunca são sujeitas a debates reais” e as minorias tendem a explorar o Estado de direito em seu benefício, uma “retórica dos direitos” que mina “o papel político das maiorias históricas em favor dos tribunais e de pequenos grupos militantes”.

Esse desequilíbrio entre a soberania e o Estado de direito leva, segundo Yasha Mounk, à instalação de uma “forma de liberalismo antidemocrático na América do Norte e na Europa Ocidental”.

“Nesta forma de governo (…) os eleitores concluíram há muito tempo que sua influência nas políticas públicas é mínima”.

E para tentar desafiar esta ordem, as classes mais baixas se afastam dos organismos intermediários (sindicatos, meios de comunicação) que consideram muito próximos do poder e incapazes de representá-los, tendendo a votar em quem promete devolver a eles o que perderam.

Estado de direito

O risco potencial para o Estado de direito é que o líder eleito pelo povo, armado com sua legitimidade democrática, comece a desfazer as conquistas importantes para seu país.

Alguns exemplos são a eliminação de liberdades individuais, ataques contra a imprensa ou ONGs. Países como a Hungria e a Polônia são regularmente alvo desse tipo de acusação.

Mas, para alguns analistas esta sede de soberania das classes populares também pode ser entendida como uma necessidade mais profunda: consolidar o sentimento de pertencer a uma nação, a um destino comum do qual algumas elites quiseram se afastar para chegar ao topo da globalização, deixando para os demais para trás.

O boom conservador “é explicado por um desejo cada vez mais profundo dos povos de ‘repatriar’ suas classes dirigentes, para impedi-los de escapar”, acredita que a ensaísta francesa Coralie Delaume.

Para Jérôme Fourquet, da Fundação Francesa Jean Jaurès, esse “separatismo social diz respeito a toda uma parte da classe superior da sociedade”. “Uma lacuna cada vez maior” separa os privilegiados do resto da população, destaca.(Agência France Presse)

Tendência de política conservadora mundial pode se manter em 2019

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-