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sexta-feira, outubro 2, 2026

Eleições e a volta à terrinha com novo livro

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Sexta-feira, véspera de eleições. Como deixar de falar delas neste momento? Longe, poderei votar somente para o cargo de presidente. E, no final do mês, voarei em direção a essa terra amada, mesmo que muitas vezes discorde do que nela se passa. Tanta energia, sem consciência de tê-la. Submetendo-se, acreditando sempre ser pouca coisa.

Gosto de gente e de natureza e, quando chego, naturalmente vou para a periferia, onde mora minha mãe. Periferia da Grande São Paulo, antes de pisar em terras sul-mato-grossenses, que me viram nascer.

Pensando no presente e no futuro dessa imensidão de Brasil, que continua a não ocupar o lugar que merece no mundo.

Viagem à terrinha, como sempre, para rever os familiares e falar de livros. Desta vez, como todos os anos nesse período, apresentarei um novo: Ele: uma procura infinita, romance publicado pela Patuá. O romance conta a história de um personagem com dezenas de filhos, em busca da “alma gêmea” que não encontra, mesmo envolvido com uma quantidade de mulheres. A mulher de sua imaginação não existe. Assim, ele continua à procura. Uma procura infinita.

Fico contente com a apresentação do professor emérito da UFRJ e romancista, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Godofredo de Oliveira Neto:

“O domínio romanesco da Mazé é evidente, a originalidade da ‘intrigue’, a sequência capitular, a escritura e o tema em si bem o provam. Obra importante na nossa literatura.”

Sempre insegura em relação ao que faço como autora — como tantos outros —, faz bem conhecer a visão de alguém que está no topo. E ele continua:

“O leitor/leitora deste Ele: uma procura infinita é fisgado pela força narrativa do texto. A volúpia estilística, reforçada pela original arquitetura dos capítulos, deixa a gente sem ar. Pela descrição, o Ele é cafuzo — ‘gotas de sangue negro… os fios de cabelo (…) certamente o lado indígena da família’ —, mistura étnica que sublinha o lá e cá narrativo, numa bela e rica estratégia literária.”

“Narrado na terceira pessoa por mais de um narrador, Mazé, com coragem, foge assim da subjetividade que marca a literatura ocidental no século XXI. Não falta emoção no romance. ‘Ele merece morrer! Vou matá-lo’ — frase que, claro, vem de uma das várias mulheres! O engenheiro construtor, o ELE, nos olha por sobre os ombros das mulheres (para ele, simples fêmeas!), por meio da alternância narrativa. Sua mãe parece lhe dar algum norte na vida, o Norte que ela deixou em busca de uma vida melhor e que não aconteceu. Há um final trágico na trama.”

Agora, é esperar que os leitores também possam se deliciar com a obra, na qual discuto a relação dos homens de uma determinada geração do século passado com as mulheres.

Antes de apresentá-lo nas cidades do nosso estado, o livro já pode ser encontrado aqui: https://www.editorapatua.com.br/ele-uma-procura-infinita-romance-de-maze-torquato-chotil/p

Mazé Torquato Chotil – Jornalista e autora. Doutora (Paris VIII) e pós-doutora (EHESS), nasceu em Glória de Dourados-MS, morou em Osasco-SP antes de chegar em Paris em 1985. Atualmente vive entre Paris, São Paulo e o Mato Grosso do Sul. Tem 15 livros publicados (seis em francês). Em Paris, trabalha na divulgação da cultura brasileira, sobretudo a literária. Foi editora da 00h00 (catálogo lusófono) e é fundadora da UEELP – União Européia de escritores de língua Portuguesa. Escreveu – e escreve – para a imprensa brasileira e sites europeus. Recebeu os prêmios da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB): Prêmio Romance 2025, pelo livro Mares Agitados: Na periferia dos anos 1970, e Prêmio Biografia 2022, por Maria d’Apparecida: negroluminosa voz.

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