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quarta-feira, setembro 30, 2026

Debate morno pode ter convencido eleitor a encerrar a novela já no primeiro turno

Sem derrapada fatal nem proposta capaz de sacudir a campanha, candidatos entregaram à TV Morena uma prévia do “Vale a Pena Ver de Novo” que ninguém parece disposto a assistir

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Pena que nenhum dos quatro candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul reunidos ontem pela TV Morena tenha se declarado devoto de Nossa Senhora Aparecida. Talvez algum milagre salvasse da monotonia um debate repetitivo, sem a derrapada capaz de mudar a eleição nem a frase memorável que sobrevivesse ao encerramento do programa. Eduardo Riedel manteve o tom monocórdio e desfilou números e realizações; Fábio Trad apontou a alça de mira para o governador, mas por pouco não atingiu a mediadora Lucimar Lescano; Delcídio do Amaral, velho de guerra já cansado para uma nova batalha, refugiou-se no saudosismo dos tempos de senador; e Lucien Rezende parecia torcer para que o relógio corresse mais depressa, tamanha a dificuldade de sustentar a argumentação diante de três adversários muito mais experientes.

Riedel recusou-se a entrar no jogo de Trad e nem esperou que o VAR do debate lhe concedesse direito de resposta. Usou partes das próprias réplicas para reagir. Curto e grosso, acusou o petista de produzir fake news, afirmou que a Justiça já havia respondido às acusações lançadas contra ele e advertiu Trad de que, insistindo naquele caminho, poderia manchar o próprio currículo. Foi o instante mais áspero de uma noite em que o governador administrou a vantagem, o adversário tentou provocar uma virada, Delcídio revisitou o passado e Lucien procurou sobreviver ao relógio.

Quem esperava que o último grande confronto televisionado reorganizasse a disputa terminou a noite com os candidatos aproximadamente no mesmo lugar em que entraram. Riedel não ofereceu ao adversário o erro de que precisava; Trad atacou bastante, mas não conseguiu colocar Riedel no canto do ringue; Delcídio mostrou que ainda conhece Mato Grosso do Sul, embora parecesse falar mais com a própria biografia; e Lucien confirmou a distância existente entre participar de uma eleição e possuir musculatura para protagonizá-la.

Talvez o efeito mais importante do debate tenha sido justamente o contrário daquele esperado. Em vez de despertar no eleitor o desejo de prolongar a discussão, pode ter aumentado a vontade de encerrá-la no próximo domingo. Não necessariamente porque Riedel tenha vencido com brilho, Trad fracassado completamente ou qualquer dos outros surpreendido. Simplesmente porque ninguém apresentou novidade suficiente para justificar mais quatro semanas da mesma conversa.

Se havia eleitor indeciso entre liquidar a eleição no primeiro turno ou conceder aos candidatos uma segunda temporada, a TV Morena pode ter resolvido a dúvida. Seja lá quem ele considere vencedor, talvez prefira acabar logo com a festa, antes que a campanha retorne à tela com as mesmas acusações, os mesmos números, as mesmas promessas e os mesmos personagens.

Segundo turno, depois do “espetáculo” de ontem, seria um risco de impor ao eleitor um Vale a Pena Ver de Novo sem que a primeira exibição tivesse valido tanto assim. Ninguém merece.

(*) Jornalista e editor do contrapontoMS, em colaboração humano–IA, sob revisão e edição final do autor.

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